Observatório no Chile inicia operações com a maior câmera digital já construída no mundo
O Observatório Vera C. Rubin, no Chile, iniciou operações em 30 de junho com a maior câmera digital do mundo, de 3.200 megapixels. O equipamento realizará o levantamento LSST durante dez anos para monitorar o céu do Hemisfério Sul e registrar bilhões de objetos celestes. A infraestrutura processará 10 terabytes de dados por noite para identificar mudanças cósmicas e emitir alertas automáticos
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O Observatório Vera C. Rubin, localizado no Chile, iniciou oficialmente suas operações em 30 de junho, colocando em funcionamento a maior câmera digital já construída. Com 3.200 megapixels, o equipamento dará início ao Legacy Survey of Space and Time (LSST), um levantamento com duração de dez anos focado no monitoramento contínuo de todo o céu do Hemisfério Sul.
Diferente de observatórios que focam em alvos específicos, o Rubin foi projetado para capturar imagens de grandes áreas celestes a cada 30 ou 40 segundos. Esse método permitirá a criação de uma sequência de imagens semelhante a um filme em time-lapse, no qual cada região observada será registrada cerca de 800 vezes ao longo da missão. A estratégia visa identificar mudanças rápidas no cosmos, como o deslocamento de cometas e asteroides, além de explosões de supernovas.
O projeto pretende registrar bilhões de objetos celestes, gerando um banco de dados que permitirá a comparação de imagens de uma mesma região a cada poucas noites. Esse volume de informações deve auxiliar na compreensão de mistérios fundamentais, como a energia escura — força ligada à expansão acelerada do universo — e a matéria escura, substância invisível que, por meio de efeitos gravitacionais, estima-se representar 85% de toda a matéria cósmica.
A infraestrutura tecnológica processará cerca de 10 terabytes de dados por noite, volume comparável a centenas de filmes em resolução 4K. O sistema também emitirá até sete milhões de alertas automáticos sobre alterações de posição, aparência ou brilho de objetos, orientando outros telescópios globais a priorizarem a observação desses eventos.
Durante a fase de testes, o observatório já identificou mais de 11 mil asteroides anteriormente desconhecidos, incluindo centenas de corpos além da órbita de Netuno e 33 objetos próximos à Terra. O equipamento também capturou imagens do cometa interestelar 3I/ATLAS.
A entrada em operação do Rubin é o resultado de três décadas desde a concepção do projeto e mais de vinte anos de desenvolvimento tecnológico. O período anterior ao lançamento foi marcado por rigorosos testes de estabilidade de sistemas e qualidade de imagem para garantir a confiabilidade do levantamento na próxima década.