Ciência

Paleontólogos chineses descobrem o registro de âmbar mais antigo do mundo com 385 milhões de anos

17 de Julho de 2026 às 09:09

Paleontólogos da Academia Chinesa de Ciências identificaram fragmentos de âmbar de 385 milhões de anos em carvão no noroeste da China. O achado, publicado na Science Advances, antecipa em 65 milhões de anos o registro mais antigo da resina fossilizada. A análise confirmou a produção de resinas por plantas vasculares primitivas sem sementes

Paleontólogos chineses descobrem o registro de âmbar mais antigo do mundo com 385 milhões de anos
Luo et al., Sci. Adv. , 2026

Paleontólogos da Academia Chinesa de Ciências identificaram fragmentos microscópicos de âmbar com aproximadamente 385 milhões de anos em uma jazida de carvão no noroeste da China. O achado, detalhado na revista Science Advances, remete a um ecossistema do Devoniano médio, surgido cerca de 150 milhões de anos antes dos dinossauros.

A descoberta antecipa em 65 milhões de anos o registro mais antigo de âmbar já confirmado, que anteriormente datava do Carbonífero tardio.

Processo de extração e análise

As amostras foram coletadas na Formação Hujiersite. Para a obtenção do material, a equipe analisou 10 kg de carvão, extraindo 241 partículas de resina fossilizada, com dimensões reduzidas, variando entre 0,1 e 1,5 mm.

Devido ao tamanho diminuto e à ausência do brilho dourado típico das joias, os fragmentos permaneceram invisíveis por longo tempo. A detecção só foi possível através do uso de luz ultravioleta, que revelou a fluorescência dos grãos em contraste com a rocha.

Para validar a natureza do material, os pesquisadores utilizaram um conjunto de testes técnicos:
* Espectroscopia infravermelha;
* Espectrometria de massas;
* Análise microscópica.

Esses procedimentos confirmaram a presença de compostos compatíveis com resinas de coníferas.

Implicações biológicas e evolutivas

O estudo revela que a capacidade de produzir resinas quimicamente complexas já existia em plantas vasculares primitivas sem sementes. Isso altera a compreensão anterior, pois o registro anterior de âmbar estava associado a plantas que já possuíam sementes.

Embora a família específica da planta extinta não tenha sido identificada, a descoberta prova que a biossíntese de resina ocorreu muito antes do previsto. Essa característica biológica teria servido como mecanismo de defesa contra:
1. Incêndios;
2. Fungos parasitas;
3. Danos físicos.

Contexto geológico

O carvão onde o âmbar foi encontrado originou-se em um ambiente úmido e rico em matéria orgânica, com vegetação vascular primitiva. Esse cenário coincide com a fase em que as plantas começaram a desenvolver estruturas de maior altura, raízes profundas e madeira.

A análise sugere que a possibilidade de encontrar depósitos de âmbar ainda mais remotos é real, caso estejam ocultos em sedimentos e confundidos com matéria orgânica comum.

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