Ciência

Passagem de estrela semelhante ao Sol pode ter provocado chuva de cometas no sistema solar

06 de Julho de 2026 às 15:06

A passagem da estrela HD 7977 pelo sistema solar, há cerca de 2,5 milhões de anos, pode ter provocado a liberação de cometas da Nuvem de Oort. Pesquisadores utilizaram dados da missão Gaia para refinar a trajetória do astro, situando a aproximação entre 6.000 e 10.000 unidades astronômicas do Sol

Passagem de estrela semelhante ao Sol pode ter provocado chuva de cometas no sistema solar
The Daily Galaxy

A passagem de uma estrela semelhante ao Sol, denominada HD 7977, pelas proximidades do sistema solar há aproximadamente 2,5 milhões de anos pode ter provocado a liberação de uma chuva de cometas cujos efeitos permanecem visíveis. O estudo, apresentado na Divisão de Astronomia Dinâmica da American Astronomical Society, indica que a força gravitacional desse astro, localizado na constelação de Casiopea, superou temporariamente a influência da Via Láctea sobre a Nuvem de Oort, o reservatório de corpos gelados situado nas extremidades do sistema solar.

A reconstrução da trajetória da HD 7977 foi possível por meio de dados da missão Gaia, da Agência Espacial Europeia, que monitora com precisão o movimento de milhões de estrelas na galáxia. Enquanto as estimativas iniciais da missão situavam a aproximação entre 4.000 e 25.000 unidades astronômicas do Sol, os pesquisadores Nathan Kaib, do Planetary Science Institute, e Sean Raymond, da Universidade de Bordeaux, refinaram esse intervalo para algo entre 6.000 e 10.000 unidades astronômicas.

A análise de cometas detectados regularmente em ambos os hemisférios desde 1989 reforça a tese de que o sistema solar atravessa um período incomum. Para Nathan Kaib, a distribuição das órbitas desses corpos sugere que a HD 7977 foi a principal responsável pela geração de novos cometas, substituindo o campo gravitacional amplo da Via Láctea como força motriz.

Apesar dos indícios, as simulações computacionais conduzidas por Kaib e Raymond ainda não reproduzem com exatidão as dimensões das órbitas observadas. Sean Raymond aponta que os modelos atuais podem ter omitido processos físicos relevantes, como a estrutura real do sistema solar externo, a incidência da luz ou a emissão de jatos de gás e poeira pelos cometas ao se aproximarem do Sol.

A confirmação dessa hipótese depende de novas atualizações da missão Gaia. A expectativa dos pesquisadores é que os próximos dados refinem a trajetória da HD 7977, permitindo comprovar se a visita estelar foi, de fato, a causa da instabilidade observada na Nuvem de Oort.

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