Ciência

Pesquisadores brasileiros desenvolvem sistema que converte dióxido de carbono em energia limpa e combustíveis renováveis

05 de Maio de 2026 às 18:08

Pesquisadores de instituições brasileiras desenvolveram um sistema que utiliza luz solar para converter dióxido de carbono em eletricidade e combustíveis como metanol e etanol. A tecnologia, detalhada na revista Applied Energy Materials, opera via fotossíntese artificial em um único dispositivo. O projeto contou com apoio da Fapesp, Capes, CNPq e Fundect

Pesquisadores brasileiros desenvolveram um sistema capaz de converter dióxido de carbono (CO₂) em energia limpa e combustíveis renováveis utilizando apenas a luz solar. A tecnologia, detalhada em estudo publicado na revista científica *Applied Energy Materials*, funciona como uma usina solar inteligente que integra a geração de eletricidade e a transformação de gases poluentes em um único dispositivo.

O mecanismo baseia-se no processo de fotossíntese artificial. Ao ser exposto à luz, o equipamento ativa reações químicas que transformam o CO₂ em compostos como metanol e etanol, que possuem diversas aplicações cotidianas. Diferente dos sistemas fotovoltaicos convencionais, que se limitam à produção de energia elétrica, esta inovação permite que a energia seja armazenada em forma química, ampliando a versatilidade do recurso.

A eficiência do projeto reside na simplificação do sistema, que dispensa a necessidade de múltiplos equipamentos ou infraestruturas complexas, operando em condições comuns. Essa característica facilita a adaptação da tecnologia para usos práticos, inclusive em pequena escala, permitindo que residências, empresas e comunidades produzam sua própria energia a partir do CO₂ atmosférico.

O desenvolvimento do dispositivo contou com a colaboração de instituições como a Universidade de São Paulo (USP), o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e a Universidade Federal do Vale do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM). O grupo de pesquisa foi composto por Renato Vitalino Gonçalves, Heberton Wender, Bárbara Sá, Márcio Pereira, Luiz Felipe Plaça, Maximiliano Zapata, Cauê Martins, Glaucia Alcantara, André Luís de Jesus Pereira, Mohammed Bajiri e Niqab Khan. O projeto recebeu apoio financeiro e técnico da Fapesp, Capes, CNPq e Fundect.

Do ponto de vista ambiental, a tecnologia atua na mitigação do aquecimento global ao reduzir a concentração de gases de efeito estufa na atmosfera, o que pode auxiliar no controle de eventos climáticos extremos e na preservação de ecossistemas. Economicamente, a solução abre caminho para novos mercados de sustentabilidade e pode ser especialmente útil em países em desenvolvimento com acesso limitado à energia.

Embora ainda esteja em fase de desenvolvimento, o sistema possui potencial para ser escalado para aplicações industriais e urbanas, transformando um resíduo poluente em um recurso energético viável.

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