Pesquisadores comprovam a possibilidade de cultivar grão-de-bico em solos que simulam a composição da Lua
Pesquisadores da Universidade do Texas cultivaram grão-de-bico em solo lunar artificial misturado a vermicomposto. O estudo indica que a colheita é viável em misturas com até 75% de regolito, utilizando fungos para reduzir a absorção de metais pesados. A equipe agora analisa a segurança nutricional e a comestibilidade dos grãos
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Pesquisadores da Universidade do Texas, nos Estados Unidos, comprovaram a possibilidade de cultivar e colher grão-de-bico em solos que simulam a composição da Lua. O estudo, publicado na revista Scientific Reports em 5 de março, investiga a viabilidade dessa leguminosa como base alimentar para tripulações em missões interplanetárias e assentamentos permanentes no satélite.
O principal desafio para a agricultura espacial é o regolito, a terra lunar que carece de matéria orgânica e microrganismos, além de conter metais pesados prejudiciais aos seres humanos. Para viabilizar o plantio, a equipe utilizou terra lunar artificial de um laboratório da Flórida, com precisão de 99% em relação à superfície real, e a misturou a vermicomposto — substância gerada por minhocas californianas vermelhas.
A pesquisa revelou que plantas de grão-de-bico conseguem ser colhidas em misturas compostas por até 75% de regolito lunar artificial. Acima desse limite, as plantas apresentaram sintomas de estresse e morte prematura. Para aumentar a resistência dos cultivos, os pesquisadores revestiram as sementes com micorrizas arbusculares. Esses fungos microscópicos estabelecem uma relação de troca com a planta: enquanto absorvem nutrientes, auxiliam a reduzir a absorção de metais pesados presentes no solo.
A presença desses microrganismos mostrou-se crucial para a saúde vegetal, permitindo que plantas estressadas sobrevivessem por mais tempo do que exemplares sem os fungos. O estudo indica ainda que, em um cenário de cultivo real, a adição desses fungos precisaria ocorrer apenas uma vez para que colonizassem a mistura de solo.
Atualmente, a equipe liderada por Jessica Atkin analisa se os grãos colhidos são seguros para o consumo humano, verificando se não há excesso de metais acumulados e se a composição nutricional atende às necessidades dos astronautas. O objetivo é determinar se a cultura é comestível de imediato ou se serão necessárias várias gerações de plantio para garantir a segurança alimentar.