Ciência

Pesquisadores criam argila modificada para reduzir o desperdício de frutas e vegetais no transporte

28 de Junho de 2026 às 12:11

Pesquisadores da Universidade de Copenhague criaram um método que utiliza argila natural modificada para capturar o gás etileno e reduzir o desperdício de frutas e vegetais. A técnica, detalhada na revista Applied Surface Science Advances, consiste na aplicação de pó de argila em embalagens para retardar a maturação dos alimentos

Pesquisadores criam argila modificada para reduzir o desperdício de frutas e vegetais no transporte
Pixabay

Pesquisadores da Universidade de Copenhague desenvolveram um método para reduzir o desperdício de alimentos durante o transporte e armazenamento de frutas e vegetais através da captura de etileno. Esse gás natural, responsável por acelerar a maturação e a deterioração de cargas em contentores e embalagens fechadas, pode ser neutralizado com o uso de argila natural modificada, conforme detalhado em estudo publicado na revista Applied Surface Science Advances.

A eficácia da solução reside em um tratamento químico suave aplicado à argila, que altera sua estrutura interna para ampliar os espaços microscópicos do material. Essa modificação permite que a argila retenha o gás de forma mais eficiente, superando a baixa capacidade de absorção do material em seu estado original. A escolha da argila baseia-se em sua abundância, baixo custo, ausência de toxicidade e segurança para o organismo humano.

O projeto focou em compreender a física e a química fundamentais que determinam a capacidade de absorção e retenção do etileno, estabelecendo a base para a criação de novos materiais sustentáveis de embalagem. Na prática, a aplicação ocorreria por meio de pequenas almofadas ou sacolas com argila em pó inseridas em caixas e contentores, operando de maneira análoga aos envelopes de sílica utilizados para absorver a umidade em eletrônicos e calçados.

O controle do etileno em produtos como mangas, tomates, bananas e abacates permitiria que as frutas fossem colhidas mais próximas do ponto de maturação ideal, combatendo a prática atual de colheitas precoces para evitar a perda de carga em viagens longas, o que resultaria em melhor sabor dos alimentos. A equipe de pesquisa, coordenada pela professora Heloisa Bordallo, do Instituto Niels Bohr, trabalha agora no aprimoramento da capacidade de captura e do tempo de retenção do gás para viabilizar a implementação do material em embalagens industriais.

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