Ciência

Pesquisadores criam catalisador que substitui a platina na produção de hidrogênio verde

21 de Maio de 2026 às 18:09

Pesquisadores da Universidade de Washington em St. Louis criaram um catalisador de fosfeto de rênio e molibdênio para a produção de hidrogênio verde sem o uso de platina. A tecnologia operou por mais de 1.000 horas com estabilidade em densidades de corrente industriais. O estudo foi divulgado pelo Science Daily em 18 de maio de 2026

Pesquisadores criam catalisador que substitui a platina na produção de hidrogênio verde
Novo catalisador sem platina impulsiona pesquisas com hidrogênio verde nos EUA/ Imagem Ilustrativa

Pesquisadores da Universidade de Washington em St. Louis desenvolveram um catalisador que amplia a eficiência da eletrólise da água sem a necessidade de platina, metal raro e oneroso utilizado na produção de hidrogênio verde. O sistema, projetado para eletrolisadores com membrana de troca de ânions, combina fosfeto de rênio e fosfeto de molibdênio em uma estrutura híbrida. Nessa composição, o rênio atua na fixação e liberação do hidrogênio na superfície, enquanto o molibdênio acelera a quebra das moléculas de água em ambiente alcalino.

O estudo, liderado pelo professor Gang Wu da Escola de Engenharia McKelvey e divulgado pelo Science Daily em 18 de maio de 2026, demonstrou que a nova tecnologia supera o desempenho de cátodos modernos baseados em metais nobres. Um dos principais diferenciais é a durabilidade: o catalisador operou por mais de 1.000 horas mantendo a estabilidade em densidades de corrente compatíveis com padrões industriais, superando a degradação química comum em materiais alternativos à platina.

A eletrólise da água separa moléculas de hidrogênio e oxigênio via eletricidade. Quando esse processo utiliza fontes renováveis, como energia eólica, solar ou hidrelétrica, o resultado é o hidrogênio verde, combustível essencial para a redução de emissões de gases do efeito estufa. A substituição da platina torna o processo economicamente mais competitivo frente ao gás natural, carvão mineral e petróleo, além de mitigar riscos na cadeia global de suprimentos.

Essa inovação é estratégica para setores de difícil eletrificação direta, como a produção de aço, cimento, fertilizantes e a aviação. O avanço ocorre em um contexto de investimentos bilionários em larga escala nos Estados Unidos, China, Alemanha e países do Oriente Médio, além da implantação de polos industriais no Brasil, especificamente nos estados da Bahia, Ceará e Pernambuco.

Embora os resultados laboratoriais sejam expressivos, a viabilidade comercial em escala industrial ainda requer comprovação. As próximas etapas da pesquisa devem avaliar a estabilidade do sistema com diferentes tipos de água, a facilidade de fabricação em massa e a performance sob condições operacionais variáveis.

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