Ciência

Pesquisadores criam células de combustível microbianas para gerar energia em sensores subaquáticos

12 de Maio de 2026 às 06:21

Pesquisadores da Michigan Tech desenvolveram células de combustível microbianas que geram eletricidade a partir de biomassa marinha para alimentar sensores subaquáticos. O sistema, testado nas baías de Chesapeake e Galveston, utiliza carvão ativado para concentrar matéria orgânica e manter a produção energética. A tecnologia visa substituir baterias em monitoramentos ecológicos e defesa naval

Pesquisadores criam células de combustível microbianas para gerar energia em sensores subaquáticos
Uma bateria microbiana com capacidade de reabastecimento automático poderia manter sensores subaquáticos funcionando por mais tempo.

Pesquisadores da Michigan Tech desenvolveram células de combustível microbianas (MFCs) capazes de prolongar a autonomia de sensores subaquáticos ao gerar eletricidade a partir de matéria orgânica e biomassa marinha microscópica. Integrado ao programa BLUE da DARPA, o sistema visa substituir a dependência de baterias, eliminando a necessidade de operações onerosas de recuperação e troca de componentes em sensores oceânicos.

A tecnologia utiliza bactérias que, durante seu metabolismo natural, transferem elétrons entre ânodo e cátodo para criar corrente elétrica. Para viabilizar o funcionamento em ambiente marinho, onde a concentração de matéria orgânica é menor do que em estações de tratamento de resíduos e os altos níveis de oxigênio interferem na geração de energia, a equipe implementou carvão ativado granulado em células tubulares. Esse material concentra a matéria orgânica e serve de base para a formação de biofilmes, permitindo que os microrganismos mantenham a produção energética mesmo em condições oxigenadas.

O design do sistema foi aprimorado para aumentar a eficiência e facilitar a instalação por meio de unidades modulares e empilháveis, compostas por placas e bombas individuais. Por ser projetado para operar totalmente submerso, o dispositivo dispensa a manutenção humana ou o aproveitamento da energia das ondas superficiais.

A eficácia do protótipo foi validada em testes na Baía de Chesapeake, onde o sistema produziu eletricidade continuamente durante 30 dias de implantação. Avaliações posteriores na Baía de Galveston confirmaram a viabilidade da tecnologia, com três de quatro unidades operando com sucesso.

A aplicação dessas células de combustível abrange redes acústicas, monitoramento ecológico — incluindo a observação de migrações e condições ambientais — e defesa naval. Para expandir a utilidade da descoberta, os pesquisadores criaram modelos preditivos que cruzam dados de laboratório, experimentos de campo e sensoriamento remoto para estimar a capacidade de geração energética em regiões costeiras ao redor do mundo.

Como etapa seguinte, a equipe planeja instalar 10 células de combustível microbianas na Baía de Chesapeake. O objetivo é analisar o desempenho do sistema a longo prazo para determinar se a tecnologia consegue sustentar operações subaquáticas durante um ano completo.

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