Ciência

Pesquisadores criam dispositivo biodegradável que converte a umidade do ar e da pele em eletricidade

24 de Maio de 2026 às 06:09

Pesquisadores de quatro universidades criaram o Gerador Elétrico de Umidade, dispositivo biodegradável que converte água do ar ou da pele em eletricidade. O sistema utiliza gelatina, sal e carvão ativado, produzindo 1 volt por unidade durante mais de 30 dias. A tecnologia também funciona como sensor de sinais fisiológicos e proximidade

Pesquisadores criam dispositivo biodegradável que converte a umidade do ar e da pele em eletricidade
Gerador biodegradável usa umidade ambiente para produzir eletricidade por mais de 30 dias e alimentar LEDs.

Pesquisadores das universidades Queen Mary, Warwick, Imperial College London e Universitas Mercatorum desenvolveram o Gerador Elétrico de Umidade (MEG), um dispositivo biodegradável capaz de converter moléculas de água presentes no ar ou na pele humana em eletricidade contínua. A tecnologia inverte a lógica tradicional da eletrônica, transformando a umidade, que geralmente é um obstáculo técnico, em fonte de energia.

O sistema é fabricado por meio de um processo simples à base de água, utilizando materiais de qualidade alimentar e não tóxicos: gelatina, cloreto de sódio (sal de cozinha) e carvão ativado. Durante a etapa de secagem, a mistura de gelatina e sal organiza-se espontaneamente em três camadas. Essa estrutura arquitetônica possibilita a movimentação de íons no interior do material assim que ele é exposto à umidade, resultando em uma saída elétrica estável.

Em termos de desempenho, cada unidade do gerador produziu 1 volt por um período superior a 30 dias. Quando conectadas em série, as unidades alcançaram 90 volts e 5,08 mA, potência suficiente para alimentar pequenos componentes eletrônicos, como uma corda de 40 luzes LED. Ming Dong, primeiro autor do estudo e pesquisador de pós-doutorado na Queen Mary University of London, destaca que o projeto atinge alta tensão utilizando componentes simples e sustentáveis, contrastando com a dependência usual de materiais escassos ou processos de fabricação complexos.

Além da geração de energia, o material reage a variações sutis de umidade, o que permite sua aplicação como sensor biodegradável compatível com a pele. O dispositivo demonstrou capacidade de monitorar sinais fisiológicos em tempo real, como a respiração e alterações na fala, detectadas por meio da umidade exalada, além de identificar a proximidade sem a necessidade de toque. Essa versatilidade indica um potencial para a criação de interfaces homem-máquina e sistemas de saúde vestíveis que dispensem o uso de baterias convencionais, reduzindo o impacto ambiental do lixo eletrônico.

Com informações de Click Petróleo e Gás

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