Ciência

Pesquisadores criam material sólido de seda com resistência superior à da madeira e do osso

20 de Maio de 2026 às 12:10

Pesquisadores das universidades Tufts, Michigan e Imperial College London criaram um material sólido e resistente a partir da fusão de fibras de seda sob calor e pressão. O composto superou a madeira e o osso em testes de tração, aproximando-se do desempenho do Kevlar. A técnica permite aplicações em implantes ortopédicos, detecção química, comunicações 6G e exames de imagem

Pesquisadores criam material sólido de seda com resistência superior à da madeira e do osso
YouTube/Bare Arms/Quichen Zhou

Pesquisadores das universidades Tufts, Michigan e do Imperial College London desenvolveram um método para criar um material sólido e resistente a partir da seda, preservando a integridade de sua estrutura interna. O estudo, publicado na revista *Nature Sustainability*, propõe a fusão de fibras de casulos de larvas de seda, amplamente utilizadas na indústria têxtil, sem a necessidade de decompor o material em proteínas individuais.

Diferente do processo convencional, que dissolve as fibras em proteínas de fibroína e resulta na perda da resistência natural do material, a nova técnica consiste em alinhar as fibras e submetê-las a calor e pressão controlados. Para isso, a sericina — camada aderente que reveste as fibras — é removida com uma solução de carbonato de sódio. Na sequência, o material é prensado sob temperaturas que variam entre 257 e 419 graus e pressões que oscilam de 1.900 a 9.800 atmosferas, fundindo-se em uma única etapa.

O material resultante apresenta alta compactação e resistência. Em testes de tração, a seda fundida superou a madeira e o osso, aproximando-se do desempenho do Kevlar, referência em proteção balística. O composto também demonstrou maior resistência ao impacto do que certos materiais reforçados com fibra de carbono.

A versatilidade do novo material permite aplicações em diferentes setores. No campo biomédico, a biocompatibilidade e a possibilidade de controlar a velocidade de degradação abrem caminho para a criação de implantes ortopédicos, como parafusos, placas e dispositivos de fixação óssea. Paralelamente, a Universidade de Michigan investiga a capacidade do material de polarizar radiação de terahercios, característica que pode ser aplicada em detecção química, comunicações 6G e exames de imagem médica.

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