Ciência

Pesquisadores criam robôs autônomos que constroem e demolit estruturas inspirados no comportamento de formigas

25 de Maio de 2026 às 15:12

Pesquisadores de Harvard e do IIT Madras criaram os RAnts, robôs autônomos que constroem e demolit estruturas via inteligência distribuída. O sistema utiliza campos de luz para coordenar o deslocamento das máquinas e a manipulação de peças de PVC

Pesquisadores criam robôs autônomos que constroem e demolit estruturas inspirados no comportamento de formigas
Enxame de pequenos robôs autônomos inspirado em formigas trabalha em grupo para construir e desmontar estruturas modulares.

Pesquisadores de Harvard e do IIT Madras desenvolveram os RAnts (robotic ants), robôs de pequeno porte capazes de construir e demolir estruturas de forma autônoma. O sistema opera sem a necessidade de um comando central ou de um planejamento detalhado, baseando-se em uma inteligência distribuída onde a coordenação surge da interação coletiva entre as máquinas e o ambiente.

A tecnologia mimetiza a estigmergia, comportamento observado em insetos sociais como formigas e cupins, que utilizam sinais ambientais para organizar tarefas complexas. No experimento, os feromônios naturais foram substituídos por "photormones", campos de luz que orientam o deslocamento dos robôs, indicando onde os materiais devem ser depositados ou removidos.

Cada unidade RAnt é equipada com microcontrolador embarcado, bateria, rodas, sensores de luz e infravermelho, além de um pequeno ímã para manipular peças cilíndricas de PVC com anéis metálicos. A operação ocorre por meio de regras locais simples: o robô reage aos sinais luminosos e às alterações deixadas por outros membros do grupo, transportando materiais sem receber ordens individuais de um computador central.

O sistema permite a alternância entre a agregação e a desagregação de estruturas. Ao ajustar parâmetros de comportamento, como a taxa de retirada de material e o nível de cooperação, o enxame pode tanto erguer quanto desmontar montagens. Durante os testes, a concentração de robôs em áreas específicas criou "sementes" que impulsionaram a formação ou a remoção das peças.

Essa abordagem oferece maior robustez operacional do que máquinas centralizadas, pois a falha de uma unidade não interrompe a atividade do grupo. Devido a essa característica, a tecnologia apresenta potencial para aplicações em cenários de risco, como zonas de desastre, túneis colapsados, áreas contaminadas por radiação ou terrenos instáveis.

A pesquisa aponta, ainda, a viabilidade de uso em missões espaciais. Enxames de robôs pequenos e substituíveis poderiam montar bases e movimentar materiais em planetas, luas ou asteroides, superando as dificuldades impostas por baixas temperaturas, radiação e ausência de atmosfera, preparando o terreno antes da chegada de astronautas.

Apesar dos avanços, a aplicação prática em canteiros de obras reais ainda demanda evolução técnica. O estudo foi conduzido em ambiente controlado, com arena reduzida e peças leves, enquanto a construção civil exige a superação de obstáculos como materiais pesados, terrenos irregulares e intempéries climáticas.

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