Ciência

Pesquisadores da Arábia Saudita desenvolvem sistema de refrigeração que funciona sem eletricidade e usa energia solar

25 de Maio de 2026 às 06:14

Pesquisadores da KAUST desenvolveram o NESCOD, sistema de refrigeração sem eletricidade que utiliza energia solar e a dissolução de nitrato de amônio em água. Em testes, a tecnologia reduziu a temperatura para 3,6 °C, mantendo-a abaixo de 15 °C por mais de 15 horas. O dispositivo visa a conservação de insumos em regiões com redes elétricas instáveis ou inexistentes

Pesquisadores da Arábia Saudita desenvolvem sistema de refrigeração que funciona sem eletricidade e usa energia solar
Sistema de refrigeração sem eletricidade usa nitrato de amônio e luz solar para gerar frio em pesquisa experimental da KAUST. (Imagem: Ilustrativa)

Pesquisadores da Universidade de Ciência e Tecnologia Rei Abdullah (KAUST), na Arábia Saudita, desenvolveram o NESCOD, um sistema experimental de refrigeração que opera sem a necessidade de eletricidade durante a etapa de resfriamento. A tecnologia, detalhada em estudo publicado na revista *Energy & Environmental Science*, da Royal Society of Chemistry, utiliza reações químicas e energia solar para reduzir a temperatura de recipientes, alimentos ou pequenos espaços.

O funcionamento do sistema baseia-se na dissolução endotérmica do nitrato de amônio (NH4NO3) em água. Nesse processo, a substância absorve energia térmica do ambiente ao se dissolver, provocando a queda da temperatura. A escolha do nitrato de amônio ocorreu devido à sua alta solubilidade, atingindo 208 gramas por 100 gramas de água, desempenho superior ao de alternativas como o cloreto de amônio, que geralmente apresenta solubilidade inferior a 100 gramas.

Em testes realizados em condições controladas, a equipe dissolveu o sal gradualmente em água dentro de um recipiente metálico acondicionado em uma caixa de poliestireno. A temperatura do conjunto caiu para aproximadamente 3,6 °C e permaneceu abaixo de 15 °C por mais de 15 horas, intervalo considerado adequado para a conservação de itens sensíveis ao calor. Sob iluminação laboratorial que simula a radiação solar padrão, o sistema alcançou uma potência de resfriamento de até 191 watts por metro quadrado.

Para viabilizar a repetição do ciclo, o método utiliza a luz solar para recuperar o nitrato de amônio. O processo ocorre em um regenerador solar tridimensional, com formato semelhante a um copo, que absorve a radiação para impulsionar a evaporação da água. Com a saída da água, os cristais de sal se reformam na superfície externa do dispositivo e podem ser coletados para um novo ciclo. Esse mecanismo permite que a regeneração do material seja feita separadamente do momento do resfriamento, funcionando como uma forma de armazenamento da energia solar.

O estudo menciona ainda a possibilidade de recuperar parte do vapor de água gerado, embora isso demande adaptações de engenharia. Como o nitrato de amônio é amplamente fabricado para a indústria de fertilizantes, a tecnologia utiliza materiais conhecidos, embora a implementação prática exija a observância de normas de segurança química, transporte e armazenamento.

O NESCOD é projetado para aplicações em regiões com redes elétricas instáveis, inexistentes ou insuficientes, como comunidades remotas, abrigos temporários e locais que necessitem de controle térmico com baixo consumo energético. O objetivo é auxiliar na conservação de vacinas, medicamentos e alimentos em áreas de calor intenso e sol abundante.

Atualmente, a tecnologia é classificada como uma demonstração científica e não como um produto comercial. A transição do protótipo de laboratório para o uso em larga escala depende de novas avaliações sobre durabilidade, custo operacional, ventilação, umidade, perda térmica e segurança em diferentes cenários. Não há confirmação de que o sistema esteja em operação industrial ou comercial.

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