Ciência

Pesquisadores da ETH Zurich criam tecnologia que transforma dióxido de carbono em combustível metanol

11 de Abril de 2026 às 12:25

Cientistas da ETH Zurich utilizaram átomos isolados de índio em catalisadores para transformar dióxido de carbono em metanol. O método, publicado na revista Nature, permite a obtenção de combustíveis e plásticos. A tecnologia resiste a pressões elevadas e temperaturas de até 300 °C

Pesquisadores da ETH Zurich criam tecnologia que transforma dióxido de carbono em combustível metanol
RMIT University/Will Wright

Pesquisadores da ETH Zurich desenvolveram uma tecnologia para converter dióxido de carbono em metanol, transformando o gás em combustível. O estudo, publicado na revista Nature, propõe a utilização do CO₂ como matéria-prima para a produção de energia sustentável e a redução de emissões.

A inovação central do sistema reside no redesenho da estrutura do catalisador. Enquanto os métodos tradicionais agrupam metais em partículas, a nova técnica utiliza átomos individuais de índio. Essa mudança estrutural torna cada átomo um ponto de reação independente, o que amplia a eficiência do sistema, reduz o desperdício de energia e otimiza o uso de materiais escassos.

A abordagem resolve uma limitação histórica da indústria química: a dificuldade de observar com precisão a superfície dos catalisadores. Em sistemas convencionais, átomos que não participam da reação interferem na análise dos dados. Com o design baseado em átomos isolados, a equipe obteve clareza sobre o mecanismo químico, permitindo ajustes precisos e substituindo o método de tentativa e erro por um desenvolvimento racional.

O metanol resultante funciona como um precursor universal para a fabricação de diversos materiais, incluindo plásticos, conforme aponta Javier Pérez-Ramírez, professor de engenharia de catálise na ETH Zurich. Estrategicamente, o processo permite a reutilização do CO₂ capturado, evitando que o gás seja liberado na atmosfera. Caso a energia e o hidrogênio empregados no processo sejam de fontes renováveis, a operação torna-se praticamente neutra do ponto de vista climático.

Para viabilizar a aplicação em escala industrial, o material demonstrou estabilidade sob condições extremas, suportando pressões elevadas e temperaturas de até 300 °C.

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