Pesquisadores da Universidade de Tóquio criam material de construção feito de resíduos alimentares sem cimento
Pesquisadores da University of Tokyo criaram um material de construção sem cimento utilizando 30 tipos de resíduos vegetais processados por compressão térmica. O composto apresentou resistência à flexão de 18 MPa na versão de repolho chinês, valor quatro vezes maior que o do concreto. O material é um protótipo biodegradável que não supera a resistência à compressão do concreto tradicional
Pesquisadores da University of Tokyo, com a participação de Yuya Sakai, desenvolveram um material de construção experimental fabricado a partir de resíduos alimentares. O estudo, detalhado no preprint “Development of Novel Construction Material from Food Waste” em 2021, utilizou 30 tipos de subprodutos vegetais, incluindo cascas de frutas e repolho chinês, para criar um composto sólido que dispensa o uso de cimento.
O processo de fabricação consiste na secagem completa dos resíduos, seguida de pulverização e moldagem por compressão térmica. Sob pressão e temperaturas próximas a 180°C, ocorre a reorganização de fibras naturais, como a celulose e a lignina, que atuam como agentes de ligação. Esse método resulta em blocos rígidos que preservam a cor e o aroma originais dos alimentos, eliminando a necessidade de ligantes químicos artificiais.
O principal destaque técnico do material é a sua resistência à flexão — a capacidade de suportar forças que tentam curvar a estrutura, propriedade essencial para superfícies horizontais e placas. Em testes laboratoriais, a formulação baseada em repolho chinês atingiu 18 MPa, marca quatro vezes superior à do concreto convencional para essa métrica específica.
Devido à sua composição exclusivamente orgânica e ausência de substâncias tóxicas, os pesquisadores indicaram que o material poderia, em cenários hipotéticos de emergência e falta de recursos, ser fragmentado e fervido para consumo humano, embora não tenha sido desenvolvido como alimento nem possua análises nutricionais.
A iniciativa fundamenta-se nos princípios da economia circular e sustentabilidade, visando reduzir o impacto ambiental do descarte de alimentos e as emissões de CO₂ associadas à produção de cimento. Por ser biodegradável, o composto surge como uma alternativa de base biológica para a engenharia de materiais.
Apesar do desempenho em flexão, o material ainda é um protótipo experimental e não substitui o concreto tradicional. A resistência à compressão, fundamental para a sustentação de pontes e edifícios, não superou a do concreto. Além disso, a viabilidade econômica, a logística de produção industrial e a durabilidade diante de intempéries e umidade ainda carecem de avaliações aprofundadas.