Ciência

Pesquisadores da Universidade de Tóquio criam material de construção feito de resíduos alimentares sem cimento

06 de Abril de 2026 às 21:48

Pesquisadores da University of Tokyo criaram um material de construção sem cimento utilizando 30 tipos de resíduos vegetais processados por compressão térmica. O composto apresentou resistência à flexão de 18 MPa na versão de repolho chinês, valor quatro vezes maior que o do concreto. O material é um protótipo biodegradável que não supera a resistência à compressão do concreto tradicional

Pesquisadores da University of Tokyo, com a participação de Yuya Sakai, desenvolveram um material de construção experimental fabricado a partir de resíduos alimentares. O estudo, detalhado no preprint “Development of Novel Construction Material from Food Waste” em 2021, utilizou 30 tipos de subprodutos vegetais, incluindo cascas de frutas e repolho chinês, para criar um composto sólido que dispensa o uso de cimento.

O processo de fabricação consiste na secagem completa dos resíduos, seguida de pulverização e moldagem por compressão térmica. Sob pressão e temperaturas próximas a 180°C, ocorre a reorganização de fibras naturais, como a celulose e a lignina, que atuam como agentes de ligação. Esse método resulta em blocos rígidos que preservam a cor e o aroma originais dos alimentos, eliminando a necessidade de ligantes químicos artificiais.

O principal destaque técnico do material é a sua resistência à flexão — a capacidade de suportar forças que tentam curvar a estrutura, propriedade essencial para superfícies horizontais e placas. Em testes laboratoriais, a formulação baseada em repolho chinês atingiu 18 MPa, marca quatro vezes superior à do concreto convencional para essa métrica específica.

Devido à sua composição exclusivamente orgânica e ausência de substâncias tóxicas, os pesquisadores indicaram que o material poderia, em cenários hipotéticos de emergência e falta de recursos, ser fragmentado e fervido para consumo humano, embora não tenha sido desenvolvido como alimento nem possua análises nutricionais.

A iniciativa fundamenta-se nos princípios da economia circular e sustentabilidade, visando reduzir o impacto ambiental do descarte de alimentos e as emissões de CO₂ associadas à produção de cimento. Por ser biodegradável, o composto surge como uma alternativa de base biológica para a engenharia de materiais.

Apesar do desempenho em flexão, o material ainda é um protótipo experimental e não substitui o concreto tradicional. A resistência à compressão, fundamental para a sustentação de pontes e edifícios, não superou a do concreto. Além disso, a viabilidade econômica, a logística de produção industrial e a durabilidade diante de intempéries e umidade ainda carecem de avaliações aprofundadas.

Notícias Relacionadas