Ciência

Pesquisadores de Columbia alcançam precisão inédita na edição de DNA de embriões humanos iniciais

08 de Junho de 2026 às 06:13

Pesquisadores da Universidade de Columbia utilizaram a técnica de Editores de Base para editar o DNA de 57 embriões humanos doados. O estudo focou na correção dos genes PCSK9, relacionado ao colesterol, e HBG, vinculado a patologias sanguíneas. A tecnologia substitui bases genéticas sem romper a estrutura do DNA

Pesquisadores de Columbia alcançam precisão inédita na edição de DNA de embriões humanos iniciais
Pexels

Pesquisadores da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, alcançaram um nível de precisão inédito na edição do DNA de embriões humanos em estágio inicial. O estudo, publicado inicialmente como pré-print e ainda pendente de revisão formal por pares, utilizou a técnica de Editores de Base (ABE). Diferente do sistema CRISPR/Cas9 tradicional, que atua como uma tesoura molecular cortando as duas fitas da dupla hélice e podendo causar a perda de cromossomos, a tecnologia ABE funciona como um corretivo químico. Ela substitui uma única base errada no código genético sem romper a estrutura do DNA, realizando a intervenção em escala molecular.

O experimento focou na correção de dois genes específicos. O primeiro, o PCSK9, é responsável pelo controle dos níveis de colesterol e está vinculado a doenças cardíacas hereditárias, que figuram entre as principais causas de morte no Brasil. O segundo, o HBG, possui potencial para tratar patologias sanguíneas, como a anemia falciforme, condição que afeta entre 60 mil e 100 mil pessoas em território brasileiro. Para a análise do gene PCSK9, foram utilizadas amostras de 40 embriões, enquanto 17 embriões foram empregados para o estudo do HBG1/2. Todas as amostras foram doadas por pacientes de clínicas de fertilidade que já haviam encerrado seus tratamentos e cujos embriões seriam descartados.

Após a aplicação do corretor genético, a equipe realizou três verificações para monitorar a taxa de sucesso e o desenvolvimento dos embriões. Os resultados indicam a viabilidade técnica de corrigir mutações hereditárias antes do nascimento, o que poderia, futuramente, erradicar diversas doenças genéticas graves.

Apesar do avanço técnico, a descoberta instaura um impasse na bioética. A possibilidade de eliminar doenças graves em famílias com histórico genético contrasta com o risco de a mesma ferramenta ser utilizada para a seleção de características físicas dos filhos, prática rejeitada por grande parte da comunidade científica. Embora a inovação seja significativa, a aplicação em clínicas ainda depende de novas etapas de validação e rigorosa revisão científica.

Notícias Relacionadas