Pesquisadores de Columbia alcançam precisão inédita na edição de DNA de embriões humanos iniciais
Pesquisadores da Universidade de Columbia utilizaram a técnica de Editores de Base para editar o DNA de 57 embriões humanos doados. O estudo focou na correção dos genes PCSK9, relacionado ao colesterol, e HBG, vinculado a patologias sanguíneas. A tecnologia substitui bases genéticas sem romper a estrutura do DNA
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Pesquisadores da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, alcançaram um nível de precisão inédito na edição do DNA de embriões humanos em estágio inicial. O estudo, publicado inicialmente como pré-print e ainda pendente de revisão formal por pares, utilizou a técnica de Editores de Base (ABE). Diferente do sistema CRISPR/Cas9 tradicional, que atua como uma tesoura molecular cortando as duas fitas da dupla hélice e podendo causar a perda de cromossomos, a tecnologia ABE funciona como um corretivo químico. Ela substitui uma única base errada no código genético sem romper a estrutura do DNA, realizando a intervenção em escala molecular.
O experimento focou na correção de dois genes específicos. O primeiro, o PCSK9, é responsável pelo controle dos níveis de colesterol e está vinculado a doenças cardíacas hereditárias, que figuram entre as principais causas de morte no Brasil. O segundo, o HBG, possui potencial para tratar patologias sanguíneas, como a anemia falciforme, condição que afeta entre 60 mil e 100 mil pessoas em território brasileiro. Para a análise do gene PCSK9, foram utilizadas amostras de 40 embriões, enquanto 17 embriões foram empregados para o estudo do HBG1/2. Todas as amostras foram doadas por pacientes de clínicas de fertilidade que já haviam encerrado seus tratamentos e cujos embriões seriam descartados.
Após a aplicação do corretor genético, a equipe realizou três verificações para monitorar a taxa de sucesso e o desenvolvimento dos embriões. Os resultados indicam a viabilidade técnica de corrigir mutações hereditárias antes do nascimento, o que poderia, futuramente, erradicar diversas doenças genéticas graves.
Apesar do avanço técnico, a descoberta instaura um impasse na bioética. A possibilidade de eliminar doenças graves em famílias com histórico genético contrasta com o risco de a mesma ferramenta ser utilizada para a seleção de características físicas dos filhos, prática rejeitada por grande parte da comunidade científica. Embora a inovação seja significativa, a aplicação em clínicas ainda depende de novas etapas de validação e rigorosa revisão científica.