Ciência

Pesquisadores descobrem as maiores concentrações de ouro invisível já registradas no fundo do oceano japonês

13 de Julho de 2026 às 18:17

Pesquisadores das universidades de Tóquio, Waseda e Shizuoka localizaram altas concentrações de ouro invisível na caldeira de Higashi-Aogashima, no fundo do oceano. O metal está integrado à estrutura da pirita em depósitos de sulfetos situados na zona econômica exclusiva do Japão. A detecção ocorreu via espectrometria de massas de íons secundários

Pesquisadores descobrem as maiores concentrações de ouro invisível já registradas no fundo do oceano japonês
Nautilus Minerals

Pesquisadores das universidades de Tóquio, Waseda e Shizuoka identificaram concentrações sem precedentes de ouro no fundo do oceano, em uma região situada na zona econômica exclusiva do Japão. O depósito foi localizado na caldeira de Higashi-Aogashima, um antigo cráter vulcânico submerso a cerca de 350 km ao sul de Tóquio.

A formação mineral ocorre devido à atividade de montes minerais e fumarolas hidrotermais, que expelem fluidos quentes carregados de metais do subsolo. Quando esses compostos interagem com a água do mar, acumulam-se ao redor das estruturas vulcânicas, originando depósitos de sulfetos com alto valor econômico.

A natureza do "ouro invisível"

A detecção do metal foi possível graças ao uso de espectrometria de massas de íons secundários, técnica capaz de analisar a composição de rochas em escalas extremamente reduzidas. Essa metodologia revelou que o ouro estava presente em quantidades muito superiores ao que a aparência externa das amostras sugeria, manifestando-se como nanopartículas e átomos integrados à estrutura química da pirita.

A pirita, mineral de ferro e enxofre frequentemente chamado de "ouro de tolos", abriga neste local o chamado ouro invisível, que não pode ser detectado a olho nu ou por microscópios convencionais. De acordo com o estudo publicado na revista Scientific Reports, a pirita encontrada na caldeira de Higashi-Aogashima detém a maior concentração de ouro já registrada em depósitos desse tipo.

Viabilidade e desafios da exploração

A profundidade relativamente baixa da área, comparada a outros depósitos submarinos, torna a região um ponto estratégico para a mineração no Japão. Contudo, a exploração comercial enfrenta obstáculos técnicos e financeiros, especialmente a necessidade de criar métodos rentáveis para separar o ouro invisível dos sulfetos. Atualmente, não existem minas de ouro operacionais no fundo do mar.

Impactos ambientais e contexto global

A descoberta reacende a discussão sobre a preservação de ecossistemas em respiradouros hidrotermais ativos. Essas áreas podem sustentar espécies adaptadas a condições extremas, como corais, esponjas, polvos, peixes e crustáceos, embora a biodiversidade específica dos campos de Higashi-Aogashima ainda não tenha sido totalmente mapeada.

Enquanto o Japão mantém seus programas de pesquisa sobre recursos oceânicos profundos, diversos países do Pacífico pleiteiam uma moratória para esse tipo de extração. O cenário é complexo, exemplificado por projetos minerários anteriores, como o ocorrido diante da Papua Nova Guiné, que resultou em fracasso devido a protestos ambientais e dificuldades financeiras.

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