Pesquisadores descobrem que focas-monge do Mediterrâneo utilizam cavernas subaquáticas como refúgios secretos na Grécia
Pesquisadores identificaram que focas-monge do Mediterrâneo utilizam câmaras submersas com bolsas de ar na Grécia como refúgio. O monitoramento por câmeras remotas revelou que esses espaços são acessados em até 84% dos dias para evitar a atividade humana
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A identificação de focas-monge do Mediterrâneo (*Monachus monachus*) em cavernas subaquáticas na Grécia revelou um comportamento de refúgio anteriormente desconhecido para a espécie, considerada em perigo de extinção. O registro, detalhado em estudo publicado na revista científica Oryx, ocorreu após pesquisadores notarem que os animais desapareciam das cavernas costeiras convencionais nas ilhas Jônicas sempre que as equipes tentavam documentar suas áreas de descanso.
A localização dos mamíferos foi possível após a descoberta de uma cavidade submersa que possuía, além da entrada principal, uma abertura que conduzia a uma câmara fechada com uma bolsa de ar no topo. Para monitorar o local, o Tethys Research Institute e a Octopus Foundation instalaram uma câmera remota, que confirmou a utilização do espaço como abrigo secreto. Julien Pfyffer, presidente da Octopus Foundation e autor do estudo, relatou que a presença de várias focas na câmara impermeável foi detectada menos de uma hora após a instalação do equipamento.
As imagens capturadas mostraram os animais em diferentes estados de repouso: flutuando calmamente na superfície, imóveis no fundo da caverna durante o sono profundo ou na postura de "bottling", na qual flutuam verticalmente. O acompanhamento realizado durante 141 dias demonstrou que a câmara com ar foi acessada em até 84% dos dias, enquanto a câmara principal foi utilizada em apenas 21% das vezes.
A frequência com que esses espaços são utilizados superou as suspeitas prévias da comunidade científica, que acreditava em um uso apenas temporário. A análise indica que a foca-monge do Mediterrâneo utiliza essas cavidades para evitar a atividade humana, especialmente no verão, período de maior ruído na costa e aumento do tráfego de embarcações e banhistas. Com apenas algumas centenas de exemplares vivendo em liberdade, a descoberta evidencia a necessidade de proteger esses habitats discretos para garantir a sobrevivência da espécie.