Ciência

Pesquisadores desenvolvem bateria nuclear de carbono-14 capaz de funcionar por milênios sem recarga

11 de Julho de 2026 às 06:20

Pesquisadores da Universidade Normal do Noroeste e da Gansu Zhulong Technology criaram a bateria nuclear Qianjiyuan Tianshu, que gera energia via decaimento do carbono-14. O dispositivo de 16,8 cm³ entrega potência de 1,13 microvatios e voltagem de 2,06 V, operando por milênios sem recarga. A tecnologia visa aplicações em sensores remotos, sondas espaciais, equipamentos médicos e industriais

Pesquisadores desenvolvem bateria nuclear de carbono-14 capaz de funcionar por milênios sem recarga
X/tphuang

Pesquisadores da Universidade Normal do Noroeste e da Gansu Zhulong Technology desenvolveram a Qianjiyuan Tianshu, uma bateria nuclear capaz de operar por milênios sem a necessidade de recarga. Diferente dos modelos químicos convencionais, o dispositivo não utiliza lítio e não armazena energia, mas a gera continuamente por meio do decaimento do isótopo carbono-14.

A tecnologia utiliza um transdutor de carbure de silício para converter a desintegração radioativa em corrente elétrica. O processo funciona de maneira análoga a um painel solar, porém substitui a luz solar pelas partículas beta emitidas pelo isótopo. Como o carbono-14 possui uma meia-vida de 5.730 anos, a bateria consegue manter sua atividade por períodos extremamente longos.

Este modelo representa a evolução da Zhulong-1, bateria de carbono-14 criada pela mesma equipe em 2024. A nova versão apresenta um design mais compacto e maior integração de componentes. Mesmo reduzindo a utilização da fonte radioativa para 22%, os desenvolvedores elevaram a potência do dispositivo em 2,6 vezes, mantendo a estabilidade e a voltagem.

Com um volume de 16,8 cm³ e o uso de 129 milicurios de carbono-14, a bateria entrega uma voltagem de 2,06 V, corrente de 0,713 microamperios e potência máxima de 1,13 microvatios. O aprimoramento resultou em um aumento de cerca de 15 vezes na densidade de potência volumétrica, apesar de a redução do volume total ter sido de apenas 17%.

O projeto, coordenado por Maogen, focou na superação de limitações de versões anteriores, que apresentavam custos elevados, baixa potência e problemas de integração. A meta foi criar um dispositivo potente, acessível e com fabricação totalmente nacional, visando aplicações industriais.

Devido à dispensa de reações químicas e à autonomia prolongada, a tecnologia é indicada para cenários onde a substituição ou recarga de energia é inviável ou excessivamente cara. Entre as aplicações previstas estão sensores remotos, sondas espaciais, equipamentos médicos e dispositivos industriais.

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