Ciência

Pesquisadores desenvolvem chip inteligente que realiza análises clínicas em larga escala em poucos minutos

23 de Maio de 2026 às 15:05

Instituições brasileiras e a Universidade do Colorado desenvolveram um chip com mais de 100 sensores para análises clínicas rápidas e simultâneas. A tecnologia, publicada na revista ACS Sensors, foi testada no monitoramento de células cancerosas, biomarcadores do vírus Mpox e amostras de urina

Pesquisadores desenvolvem chip inteligente que realiza análises clínicas em larga escala em poucos minutos
Chip inteligente desenvolvido por cientistas brasileiros promete acelerar análises clínicas

Pesquisadores de instituições brasileiras e da Universidade do Colorado, nos Estados Unidos, desenvolveram um chip inteligente capaz de realizar análises clínicas em larga escala em poucos minutos. O dispositivo, que integra mais de 100 sensores microscópicos em uma estrutura de 75 x 35 milímetros, permite a análise simultânea de diversas amostras químicas e biológicas, reduzindo custos, complexidade e o tempo de processamento de exames laboratoriais.

O estudo, publicado na revista ACS Sensors sob o título “Switchable Electrode-Enabled High-Density Two-Dimensional Chips: A Simple, Generalizable Approach to Yield High-Throughput Electrochemical Analyses”, detalha a superação de um desafio histórico nos sensores eletroquímicos. A inovação consiste na capacidade de os sensores alternarem suas funções durante os testes, o que diminui drasticamente a necessidade de conexões elétricas. Essa arquitetura torna o chip mais compacto, facilita a fabricação e viabiliza a criação de equipamentos portáteis para diagnósticos fora de grandes centros laboratoriais, como em cidades pequenas ou zonas rurais.

Durante a fase de testes, a tecnologia demonstrou eficácia no monitoramento de células cancerosas, na detecção de biomarcadores do vírus Mpox e na análise de amostras que simulavam urina humana. A versatilidade do sistema permite que ele seja adaptado para identificar diferentes substâncias, o que pode aumentar a padronização dos resultados e reduzir falhas operacionais em hospitais com alta demanda.

O desenvolvimento foi fruto de um trabalho multidisciplinar envolvendo as áreas de nanotecnologia, física, química, engenharia e biomedicina. A colaboração reuniu especialistas do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), da Universidade de São Paulo (USP), da Unicamp e da UFABC. Entre os nomes envolvidos no projeto estão Renato Lima, Osvaldo Novais de Oliveira Junior, Bruna Hryniewicz, Flávio Shimizu, Gabriela Zoia, Juliana Costa, Murilo Santhiago e Charles Henry.

Para as próximas etapas, os cientistas planejam a integração de inteligência artificial e aprendizado de máquina para aprimorar a precisão dos diagnósticos. No entanto, a transição para o uso comercial exige a superação de desafios técnicos, como a fabricação em larga escala com a manutenção da reprodutibilidade e a obtenção de certificações clínicas rigorosas para a liberação do uso médico.

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