Pesquisadores desenvolvem escudos eletrodinâmicos para repelir a poeira lunar e proteger equipamentos espaciais
Pesquisadores criaram escudos eletrodinâmicos de óxido de grafeno reduzido para repelir a poeira lunar por meio de campos elétricos. A tecnologia previne a adesão de partículas abrasivas em sensores, trajes e equipamentos, visando viabilizar bases permanentes e missões tripuladas na Lua

Pesquisadores desenvolveram escudos eletrodinâmicos capazes de gerar campos elétricos para repelir a poeira lunar, solucionando um dos principais entraves para a viabilidade de missões tripuladas e a instalação de bases permanentes na Lua. A tecnologia utiliza eletrodos flexíveis instalados em superfícies expostas que, por meio de campos elétricos variáveis, empurram as partículas carregadas antes que ocorra o acúmulo de material.
A necessidade dessa inovação baseia-se nas características do regolito lunar: uma poeira fina, abrasiva e eletricamente carregada devido à radiação solar. Com partículas de bordas afiadas e fragmentos cortantes, esse material provoca desgaste em trajes espaciais, danifica sensores, obstrui radiadores vitais e cobre painéis solares. Registros técnicos da NASA relativos ao programa Apollo, ocorrido entre 1969 e 1972, já apontavam que a aderência rápida do regolito a módulos e instrumentos causava irritações respiratórias nos astronautas e reduzia a eficiência operacional na superfície.
Para viabilizar a aplicação em superfícies curvas, como capacetes, rovers e trajes pressurizados, a ciência testou diferentes materiais. Inicialmente, utilizou-se o cobre sobre películas flexíveis devido à sua alta condutividade elétrica, porém o metal apresentou tendência a rachar sob dobras em condições severas. Como alternativa, foi implementado o óxido de grafeno reduzido, que oferece maior leveza, resistência mecânica e flexibilidade extrema, garantindo durabilidade prolongada em ambientes de vácuo e sob variações térmicas.
Ensaios realizados em câmaras de vácuo profundo com poeira artificial demonstraram que, embora adesivos de cobre consigam remover camadas já fixadas, a máxima eficácia do sistema ocorre na prevenção da adesão inicial. Ao atuar enquanto as partículas ainda estão em movimento, a tecnologia protege lentes, sensores térmicos e estruturas externas, eliminando a dependência de solventes, escovas ou limpezas manuais em áreas de risco.
A implementação desses escudos reduz a necessidade de envio de peças de reposição e a frequência de manutenções em missões prolongadas. Com a preservação de dutos de ventilação, escotilhas e sistemas de suporte à vida, a operação de bases lunares torna-se mais segura, mitigando falhas e custos operacionais decorrentes do acúmulo de poeira.