Pesquisadores desenvolvem implante que restaura a percepção visual por meio de luz infravermelha próxima
Pesquisadores da Universidade Yonsei criaram um implante que restaura a percepção visual em casos de degeneração da retina via luz infravermelha próxima. O dispositivo converte sinais luminosos em corrente elétrica para estimular células ganglionares, utilizando micropilares de metal líquido. A tecnologia foi validada em tecidos e animais, mas ainda não possui aplicação clínica humana
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Pesquisadores da Universidade Yonsei, em Seul, desenvolveram um implante capaz de restaurar a percepção visual em casos de degeneração da retina, com a característica adicional de detectar a luz infravermelha próxima. Por ser invisível ao olho humano e capaz de atravessar as pálpebras, esse tipo de luz permite que a percepção ocorra mesmo com os olhos fechados.
O projeto, detalhado na revista Nature Electronics, foca em patologias como a retinite pigmentosa, nas quais os cones e bastonetes — fotoreceptores responsáveis por converter a luz em sinais nervosos — sofrem deterioração gradual. A solução proposta pelo grupo liderado pelo professor Park Jang-ung não consiste em reparar essas células danificadas, mas em contornar a falha. O dispositivo capta o sinal luminoso e o direciona às células ganglionares da retina, que permanecem funcionais em camadas profundas e mantêm a comunicação com o sistema visual.
A estrutura da retina artificial é composta por três camadas. A primeira funciona como um filtro ultrafino que bloqueia a luz visível e permite a passagem apenas de ondas infravermelhas próximas. A segunda camada utiliza uma matriz de fototransistores para converter a luz filtrada em corrente elétrica. A terceira camada consiste em micropilares tridimensionais de metal líquido, compostos por uma liga de Gálio e Índio que permanece líquida em temperatura ambiente.
Esses micropilares, com 20 micrômetros de largura e 60 micrômetros de altura, foram projetados para se adaptar à curvatura e à fragilidade da retina. A flexibilidade do material evita a tensão mecânica, inflamações ou a formação de cicatrizes, problemas comuns em eletrodos rígidos. Essa configuração permite que a interface com as células ganglionares seja mais estreita, facilitando a transmissão de sinais sem a necessidade de remover tecidos funcionais, o que preservaria a visão remanescente em pacientes com perda parcial.
A validação da tecnologia ocorreu primeiro em tecido retiniano isolado de ratos para garantir a integridade celular. Posteriormente, o implante foi testado em animais vivos, incluindo ratos saudáveis e espécimes com degeneração retiniana induzida. Testes comportamentais e medições cerebrais confirmaram que os animais respondiam aos estímulos de luz infravermelha próxima.
Apesar dos resultados, a tecnologia está em estágio inicial e não possui aplicação clínica imediata em humanos. A viabilidade do sistema depende ainda da comprovação da biocompatibilidade a longo prazo, da resistência dos eletrodos de metal líquido no ambiente ocular e da compreensão de como o cérebro humano processaria esse novo tipo de sinal visual.