Pesquisadores desenvolvem moléculas que bloqueiam a entrada do vírus Epstein-Barr nas células
Pesquisadores desenvolveram moléculas que bloqueiam a entrada do vírus Epstein-Barr nas células, com foco na proteína gp42. O estudo, publicado em 15 de abril de 2026, utilizou camundongos modificados com genes humanos para testar a eficácia dos anticorpos
Pesquisadores desenvolveram moléculas capazes de bloquear a entrada do vírus Epstein-Barr (EBV) nas células, focando a intervenção no estágio inicial da infecção. O estudo, publicado em 15 de abril de 2026, utilizou camundongos modificados com genes humanos específicos para a produção de anticorpos, visando criar defesas com características humanas para evitar rejeições ou perda de eficácia em futuras aplicações clínicas.
O EBV, pertencente à família dos herpesvírus, infecta aproximadamente 95% da população global e permanece no organismo em estado latente após o contato inicial. Embora muitas vezes não apresente sintomas, o vírus pode causar mononucleose em jovens, manifestando-se por febre, cansaço e aumento dos gânglios. A preocupação científica reside na associação do EBV a doenças graves, como esclerose múltipla, câncer de estômago, linfomas e outras patologias tumorais, especialmente quando o sistema imunológico apresenta vulnerabilidades.
A estratégia experimental concentrou-se em neutralizar proteínas da superfície do vírus, que atuam como chaves para a invasão celular. O estudo identificou que anticorpos direcionados à proteína gp42 impediram totalmente a infecção em camundongos humanizados. Já a ação contra a proteína gp350, responsável por fixar o vírus à célula, resultou em proteção parcial. A proteína gp42 é crucial por atuar na entrada do EBV nas células B, componentes do sistema imunológico que servem de refúgio para o patógeno.
Essa abordagem de proteção passiva, que fornece anticorpos prontos ao organismo, difere das vacinas, que treinam o sistema imune para produzir a própria defesa. A aplicação de moléculas preparadas pode ser especialmente benéfica para pacientes transplantados ou com imunidade comprometida, reduzindo o risco de reativação viral e de doenças linfoproliferativas, caracterizadas pelo crescimento descontrolado de células de defesa infectadas.
Apesar do avanço, a pesquisa ainda não se traduz em cura ou tratamento hospitalar, pois os testes em humanos ainda não foram realizados. É necessário confirmar a segurança, a dosagem e a duração do efeito em voluntários, além de investigar se o bloqueio viral consegue, efetivamente, prevenir a esclerose múltipla ou tipos de câncer. As próximas etapas preveem testes iniciais de segurança e estudos com grupos de maior risco para validar a redução de infecções e complicações associadas ao vírus.