Ciência

Pesquisadores desenvolvem solução biológica para eliminar resíduos farmacológicos de fertilizantes orgânicos na Espanha

08 de Junho de 2026 às 18:06

Pesquisadores de Sevilha desenvolveram o consórcio C7, composto por microrganismos que aceleram a degradação de resíduos farmacológicos em fertilizantes orgânicos. Testes em plantações de cereais, girassóis e vinhas reduziram o tempo de eliminação do contaminante de 12 para três dias. A técnica de bioaumento viabiliza a reutilização segura de lodos de tratamento de água urbana como adubo

Pesquisadores desenvolvem solução biológica para eliminar resíduos farmacológicos de fertilizantes orgânicos na Espanha
EFE/Serge Ilnitsky

Pesquisadores do Instituto de Recursos Naturais e Agrobiologia de Sevilha e da Universidade de Sevilha desenvolveram uma solução biológica para eliminar resíduos farmacológicos presentes em fertilizantes orgânicos. O estudo, publicado no *Journal of Hazardous Materials*, propõe a utilização de microrganismos especializados para acelerar a descontaminação de solos agrícolas, mitigando os riscos associados ao uso de lodos provenientes de estações de tratamento de água urbana.

A problemática central reside no fato de que subprodutos de tratamento urbano, embora ricos em matéria orgânica e atraentes para a adubação, transportam compostos descartados pelo consumo humano, como o ibuprofeno. A presença dessas substâncias químicas nos fertilizantes naturais compromete a segurança da economia circular, pois pode transferir resíduos farmacêuticos diretamente para as fazendas.

Para enfrentar esse cenário, o grupo CONSOWAT coletou amostras biológicas de resíduos sólidos em uma estação de tratamento de água na capital de Sevilha. Em ambiente laboratorial, esses microrganismos foram submetidos a uma pressão controlada durante sete semanas, sendo alimentados exclusivamente pelo fármaco. Esse processo de adaptação evolutiva resultou na criação do consórcio C7.

A técnica, denominada "bioaumento", consiste em reforçar a microbiota natural do solo com esses organismos treinados para a degradação química. Embora os solos agrícolas possuam mecanismos próprios de autolimpeza, a velocidade desses processos nem sempre é suficiente para impedir a contaminação hídrica. Testes laboratoriais comprovaram que terrenos sem atividade biológica não conseguem eliminar o fármaco apenas por meios físicos.

A eficácia do consórcio C7 foi testada em três ambientes agrícolas da província de Sevilha: plantações de cereais, girassóis e uma vinha orgânica. As análises focaram nos primeiros 10 centímetros da superfície terrestre, zona de maior atividade biológica. Com a introdução das bactérias selecionadas, o tempo de degradação do contaminante foi reduzido de 12 dias para apenas três.

Análises de ácido desoxirribonucleico (DNA) revelaram que, embora os anti-inflamatórios alterem temporariamente a biodiversidade do subsolo, o ecossistema retorna ao estado normal após a intervenção bacteriana. A aplicação dos microrganismos especializados permite a decomposição de 50% do princípio ativo em poucas horas, viabilizando a reutilização segura de lodos urbanos como adubo orgânico na Espanha.

O projeto contou com financiamento do Ministério da Ciência, Inovação e Universidades, além da Secretaria de Universidade, Pesquisa e Inovação da Junta de Andaluzia. A equipe científica planeja agora expandir o modelo de bioaumento para outros compostos críticos, com foco especial nos antibióticos, cuja acumulação na natureza pode gerar mutações biológicas perigosas. Antes da implementação em larga escala, serão realizados ensaios controlados para ajustar as doses e os parâmetros de aplicação.

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