Ciência

Pesquisadores encontram na Indonésia duas espécies de marsupiais tidas como extintas desde a Era do Gelo

12 de Abril de 2026 às 18:36

O Museu Australiano confirmou, em março de 2026, a presença do planador-de-cauda-anelada e do gambá-pigmeu-de-dedos-longos em florestas da Papua Ocidental, Indonésia. Os marsupiais eram tidos como extintos desde a Era do Gelo e possuíam apenas registros fósseis

Duas espécies de marsupiais, consideradas extintas desde a Era do Gelo, foram localizadas vivas em florestas tropicais remotas da Papua Ocidental, na Indonésia. A confirmação da descoberta ocorreu em março de 2026, após expedição liderada por Tim Flannery, do Museu Australiano.

Os animais identificados são o planador-de-cauda-anelada (*Tous ayamaruensis*) e o gambá-pigmeu-de-dedos-longos (*Dactylonax kambuayai*). Até esse momento, o registro científico de ambas as espécies limitava-se a dentes fossilizados, escavados em cavernas da Nova Guiné durante a década de 1990.

O *Dactylonax kambuayai* é o menor gambá listrado vivo do mundo, pesando apenas 200 gramas. O animal apresenta uma adaptação anatômica inédita entre os marsupiais vivos: o quarto dedo de cada pata possui o dobro do comprimento dos demais, ferramenta utilizada para extrair pequenos invertebrados e larvas de insetos debaixo de cascas de árvores. A espécie pertence à família dos gambás listrados e possui parentesco com o *Petauroides volans*, marsupial planador encontrado no leste da Austrália.

A operação de campo foi coordenada por Flannery e pelo Dr. Ken Aplin, que havia descrito as espécies a partir de fósseis nos anos 90 e suspeitava da sobrevivência dos animais em áreas isoladas. A busca foi viabilizada por Helgen, colaborador de Flannery no Museu Australiano, que reuniu evidências ao longo dos anos. A identificação foi possível por meio de observação direta e análise morfológica comparada aos fósseis, contando com o apoio de comunidades indígenas locais para a localização de marsupiais noturnos.

O anúncio oficial da redescoberta foi feito pelo Museu Australiano e pelo Museu Bishop, no Havaí. O caso classifica os animais como "espécies Lázaro", termo aplicado a organismos que reaparecem após serem presumidos extintos. Esse fenômeno ocorreu anteriormente com um sapo raro, considerado relíquia da evolução. A convergência entre a biologia de campo e a paleontologia para recontar a história da vida também é evidenciada pela descoberta do primeiro ovo fóssil de ancestral mamífero na África do Sul.

Apesar do achado, a situação das espécies é crítica. Os habitats na Papua Ocidental enfrentam pressões crescentes devido à mineração e ao desmatamento. Helgen pontuou que, embora esses animais não tenham sofrido ameaças severas no passado recente, a vulnerabilidade atual torna a conservação imediata uma prioridade para evitar que desapareçam permanentemente.

As estimativas sobre o período de extinção presumida variam entre 6.000 e 7.000 anos. A confirmação definitiva dos achados ainda depende de análises genéticas e morfológicas detalhadas, visto que a publicação formal em revista indexada está em andamento. Até o momento, não foram divulgados dados sobre o tamanho da população atual, planos formais de conservação ou as coordenadas precisas das florestas onde os animais foram encontrados.

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