Ciência

Pesquisadores estudam como tsunamis submarinos causados por icebergs influenciam a dinâmica oceânica na Antártida

22 de Maio de 2026 às 06:20

Pesquisadores do British Antarctic Survey estudam como o desprendimento de icebergs na Península Antártica gera tsunamis submarinos que movimentam calor, oxigênio e nutrientes. O projeto utiliza navios, drones e simulações computacionais para analisar a propagação dessas ondas e seu impacto na dinâmica oceânica

Pesquisadores estudam como tsunamis submarinos causados por icebergs influenciam a dinâmica oceânica na Antártida
Tsunamis submarinos na Antártida: icebergs podem alterar mistura oceânica no Oceano Antártico e afetar calor, nutrientes e vida marinha.

Uma equipe internacional de pesquisadores, coordenada pelo British Antarctic Survey, investiga como o desprendimento de icebergs na Antártida gera tsunamis submarinos e de que maneira essas ondas impactam a dinâmica oceânica. O estudo, divulgado em 15 de janeiro de 2026, foca na Península Antártica, utilizando a Estação de Pesquisa Rothera e o navio polar RRS Sir David Attenborough para analisar a movimentação de calor, oxigênio e nutrientes nas águas polares.

O fenômeno ocorre quando grandes blocos de gelo se soltam de geleiras e caem no mar. Além do impacto superficial, a energia liberada propaga-se abaixo da superfície, criando ondas de vários metros de altura que provocam intensas rajadas de mistura nas camadas do oceano. Anteriormente, a redistribuição de elementos nas águas polares era atribuída majoritariamente às marés, ao vento e à perda de calor superficial. No entanto, cálculos iniciais indicam que esses tsunamis submarinos podem superar o efeito das marés e rivalizar com a ação dos ventos na movimentação do calor.

A linha de investigação foi estabelecida após a coleta de dados durante uma expedição anterior a bordo do navio RRS James Clark Ross, que registrou a atividade oceânica antes, durante e depois de um evento de desprendimento. Agora, o projeto reúne oceanógrafos, modeladores climáticos e especialistas em geleiras do Reino Unido, Estados Unidos e Polônia para compreender a formação e a propagação dessas ondas, além de avaliar se variáveis como o tamanho do iceberg, o tipo de geleira e a estação do ano influenciam a intensidade do fenômeno.

Para monitorar áreas de difícil acesso, a equipe emprega drones, satélites, câmeras remotas e veículos autônomos subaquáticos. O suporte tecnológico inclui ainda simulações computacionais e algoritmos de aprendizado profundo para modelar o deslocamento das ondas e a natureza da mistura hídrica provocada.

Um dos pontos centrais da análise é o transporte de calor: a possibilidade de a mistura oceânica levar águas mais quentes das profundezas para as frentes de gelo, o que poderia acelerar o derretimento da camada de gelo antártica e, consequentemente, elevar o nível do mar. Paralelamente, a pesquisa observa a redistribuição de nutrientes, essencial para o fitoplâncton, que constitui a base da cadeia alimentar marinha.

O objetivo final dos cientistas é quantificar esses mecanismos para aprimorar os modelos de previsão de mudanças climáticas. A investigação busca determinar se o aquecimento global poderá aumentar a frequência e a intensidade da queda de icebergs, tornando esses eventos de mistura profunda mais comuns e reduzindo as incertezas sobre o futuro do ecossistema antártico.

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