Ciência

Pesquisadores estudam proteína de tardígrados para proteger o DNA de astronautas contra a radiação espacial

10 de Maio de 2026 às 20:15

Pesquisadores da Universidade de Columbia Britânica estudam a proteína Dsup, de tardígrados, para proteger o DNA de astronautas contra radiações. Testes indicam que a substância reduz danos genéticos, mas concentrações elevadas prejudicam a replicação celular e a sobrevivência das células. O desafio atual é controlar a dosagem e o tempo de ativação da proteína para garantir a segurança da aplicação

Pesquisadores estudam proteína de tardígrados para proteger o DNA de astronautas contra a radiação espacial
Reuters/NASA/Bill Ingals

Pesquisadores da Universidade de Columbia Britânica investigam a possibilidade de transferir a resistência dos tardígrados para seres humanos, visando proteger o DNA de astronautas contra a radiação em missões espaciais de longa duração. O estudo, publicado no bioRxiv, foca na proteína Dsup, mecanismo que permite a esses microrganismos sobreviverem ao vácuo e a radiações intensas.

Desde a identificação da função da Dsup em 2016, testes com células humanas geneticamente modificadas indicaram uma tolerância superior a danos genéticos. A nova análise expande esse entendimento ao demonstrar que a proteína oferece proteção contra diversos agentes mutagênicos, além da radiação. Contudo, a equipe liderada por Corey Nislow identificou que concentrações elevadas de Dsup reduzem a viabilidade celular, podendo levar à morte das células.

Através de experimentos com leveduras modificadas, observou-se que a proteína atua envolvendo fisicamente o DNA para bloquear agentes nocivos. Esse processo, porém, cria uma barreira que prejudica a replicação e a transcrição genética, além de interferir nos sistemas naturais de reparo do DNA. Para Nislow, esse cenário evidencia que cada benefício da proteína traz um custo biológico, especialmente em células com capacidade de reparo limitada, onde a Dsup pode impedir correções essenciais à sobrevivência.

Anteriormente, considerava-se a administração de RNA da Dsup via nanopartículas lipídicas — técnica similar à de vacinas — para garantir uma proteção temporária às tripulações. Embora essa estratégia fosse vista como viável há alguns anos, os dados recentes forçam a revisão da abordagem. James Byrne, da Universidade de Iowa, ressalta que a produção contínua da proteína em todas as células causaria danos significativos à saúde, sugerindo que apenas o uso pontual seria benéfico. O desafio científico atual reside na capacidade de controlar a localização, o momento e a quantidade da ativação da proteína para que a aplicação seja segura.

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