Ciência

Pesquisadores identificam animal híbrido entre cão doméstico e lobo-do-pantanal no sul do Brasil

05 de Junho de 2026 às 06:18

Pesquisadores brasileiros identificaram em Vacaria um híbrido natural entre cão doméstico e lobo-do-pantanal, animal que possuía 76 cromossomos. A análise genética confirmou a fusão de espécies separadas evolutivamente há 6,7 milhões de anos

Pesquisadores identificam animal híbrido entre cão doméstico e lobo-do-pantanal no sul do Brasil
Szynwelski et al.

A identificação de um animal híbrido, batizado de Dogxim, revelou a ocorrência de um cruzamento natural entre dois gêneros de canídeos distintos, evento anteriormente considerado impossível pela biologia. O exemplar foi localizado em Vacaria, no sul do Brasil, após ter sido atropelado em 2021.

A análise genética conduzida por pesquisadores brasileiros constatou que o animal possuía 76 cromossomos, valor que se situa entre os 78 do cão doméstico e os 74 do lobo-do-pantanal (*Lycalopex gymnocercus*). Evidências moleculares confirmaram que as duas espécies haviam se separado evolutivamente há 6,7 milhões de anos. O DNA mitocondrial indicou que a mãe era um lobo, enquanto o DNA nuclear demonstrou a fusão genética de ambos os progenitores. Roland Kays, do Museu de Ciências Naturais da Carolina do Norte, afirmou que não havia documentação prévia de hibridação entre gêneros tão distantes dentro da família dos canídeos.

Morfologicamente, Dogxim apresentava o corpo, as orelhas pontudas e a cauda espessa semelhantes às de um lobo, contrastando com a cor da pelagem, os olhos e gestos típicos de cães. O comportamento também era misto: o animal latia, brincava com objetos e aceitava carinho, mas mantinha o hábito de caçar presas vivas em vez de comer ração.

O caso ocorreu em uma região da Mata Atlântica, bioma severamente degradado. A expansão urbana e o desmatamento aproximaram animais selvagens e domésticos. Bruna Szunwelski destacou que o abandono frequente de cães em áreas naturais, apesar de ser crime, insere esses animais em territórios de espécies nativas, como o lobo-do-pantanal, facilitando interações incomuns.

Dogxim morreu em 2023 por causas desconhecidas e não há registros de outros exemplares com a mesma genética. Embora a comunidade científica considere esse tipo de hibridação extremamente rara devido a barreiras genéticas que costumam inviabilizar a prole, o caso prova que a hibridação interespecífica é possível. A persistência da pressão humana sobre a fauna e a alteração dos habitats podem repetir o fenômeno, trazendo o risco de introdução de genes domésticos em populações de lobos selvagens, o que comprometeria a conservação da espécie.

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