Ciência

Pesquisadores identificam evidências de cruzamento entre o Homo erectus e os denisovanos na China

26 de Maio de 2026 às 12:11

Pesquisadores da Academia Chinesa de Ciências identificaram cruzamentos entre Homo erectus e denisovanos por meio da análise de proteínas em dentes fósseis de três regiões da China. O estudo, publicado na revista Nature, detectou a variante proteica AMBN-M273V em amostras de *Homo erectus

Pesquisadores identificam evidências de cruzamento entre o Homo erectus e os denisovanos na China

Uma equipe de pesquisadores do Instituto de Paleontologia de Vertebrados e Paleoantropologia da Academia Chinesa de Ciências, sob a liderança da paleoantropóloga Qiaomei Fu, identificou evidências de cruzamento entre o *Homo erectus* e os denisovanos. O estudo, publicado na revista Nature em maio, baseou-se na análise de proteínas preservadas no esmalte dentário de fósseis encontrados em três localidades da China: Zhoukoudian, na região de Pequim, Hexian, na província de Anhui, e Sunjiadong, em Henan.

A metodologia consistiu na extração de 11 proteínas de seis dentes, utilizando um processo de corrosão ácida que permitiu a leitura de centenas de posições de aminoácidos sem comprometer a estrutura externa das peças. A escolha pelas proteínas ocorreu devido à instabilidade do DNA em climas quentes e úmidos, como o do sul da Ásia, onde o material genético se degrada em poucas dezenas de milhares de anos. Em contrapartida, as proteínas permanecem blindadas no esmalte, o tecido mais resistente do corpo humano, possibilitando a recuperação de dados de amostras significativamente mais antigas.

A análise revelou a presença de duas variantes proteicas distintas. A primeira, denominada AMBN-A253G, foi detectada em todas as seis amostras e parece ser exclusiva das populações de *Homo erectus* do Leste Asiático, funcionando como uma marca de linhagem. A segunda variante, a AMBN-M273V, era anteriormente reconhecida como uma assinatura genética característica dos denisovanos — espécie extinta identificada em 2010 por meio de um fragmento ósseo na Sibéria. A detecção dessa mesma variante em fósseis de *Homo erectus* com 400 mil anos a mais que os denisovanos indica que houve interação e cruzamento entre as duas linhagens em habitats compartilhados.

A hipótese científica indica que essa mutação originou-se em populações ligadas ao *Homo erectus*, foi transmitida aos denisovanos via hibridização e, posteriormente, alcançou grupos de humanos modernos residentes na Oceania e no Sudeste Asiático. Esse fluxo genético demonstra que fragmentos de misturas ocorridas há centenas de milênios permanecem presentes em genomas contemporâneos.

A descoberta altera a compreensão da evolução humana, afastando a ideia de uma progressão linear e reforçando a existência de uma árvore genealógica complexa, com ramificações que se interceptam. O uso de proteínas do esmalte como ferramenta de análise preenche lacunas onde o DNA era inexistente, permitindo a recuperação de informações genéticas de quase meio milhão de anos.

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