Pesquisadores identificam nova categoria de materiais que opera em estado transdimensional utilizando estruturas de grafeno
Pesquisadores identificaram materiais em estado transdimensional em estruturas de grafeno com nove camadas, conforme estudo da revista Nature. O fenômeno ocorre em espessuras entre 2 e 5 nanômetros, onde elétrons se movem de forma coordenada nos eixos horizontal e vertical. A descoberta revelou um novo efeito Hall anômalo com ferromagnetismo orbital gigante no plano
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Pesquisadores identificaram uma nova categoria de materiais que opera em um estado "transdimensional", situando-se em uma zona intermediária entre a bidimensionalidade plana e o espaço tridimensional convencional. O fenômeno, detalhado em estudo publicado na revista Nature em 29 de abril de 2026, foi observado em estruturas de grafeno com nove camadas, nas quais os elétrons se deslocam de maneira coordenada simultaneamente nos eixos horizontal e vertical.
A descoberta revela estados da matéria não previstos pela física tradicional. O comportamento transdimensional manifesta-se apenas quando o grafeno atinge uma espessura rigorosa entre 2 e 5 nanômetros — dimensão aproximadamente 50 mil vezes menor que a de um fio de cabelo humano —, o que equivale ao empilhamento de 3 a 15 camadas do material. Nesse regime, a espessura supera a de uma única camada atômica, mas permanece menor ou comparável ao "caminho livre médio", que é a distância percorrida por um elétron antes de sofrer uma colisão.
Diferente do comportamento habitual, onde elétrons em folhas únicas de grafeno movem-se apenas lateralmente ou saltam de forma caótica em empilhamentos densos, a equipe liderada por Qingxin Li, Lei Wang, Jianpeng Liu e Cory R. Dean observou que, na espessura correta, as cargas elétricas se movem como ondas coordenadas atravessando todas as camadas ao mesmo tempo.
Esse estado emerge de uma fase metálica onde as leis de simetria são rompidas espontaneamente por interações entre os próprios elétrons, sem a necessidade de forças externas. O material rompe, simultaneamente, as simetrias de rotação, espelho e de reversão temporal.
Um dos principais achados é a observação de um novo tipo de efeito Hall anômalo, que acopla magnetizações orbitais tanto no plano quanto fora dele. Enquanto o efeito Hall convencional desvia o fluxo elétrico lateralmente de forma previsível, o grafeno multicamadas romboédrico apresenta um ferromagnetismo orbital gigante no plano, impulsionado apenas pelo movimento orbital dos elétrons, sem a dependência do "spin". A magnetização orbital medida foi de aproximadamente 2,2 magnetons de Bohr por elétron.
Para validar a descoberta, a equipe fabricou diversos dispositivos com variações de 3 a 15 camadas de grafeno, submetendo-os a campos magnéticos paralelos e perpendiculares à superfície. Os resultados mostraram que o estado transdimensional se manifesta através de uma histerese de resistência Hall, permitindo que o material mantenha a memória de seu estado magnético anterior, controlável por campos magnéticos em qualquer direção. Além disso, notou-se a ausência de oscilações quânticas típicas de quando se aumenta o campo magnético, indicando que as regras habituais da física quântica não se aplicam a esse cenário.
A identificação dessa nova classe de efeito Hall anômalo estabelece um paradigma inédito para a física topológica e correlacionada. A capacidade de operar em territórios anteriormente considerados impossíveis pela ciência abre caminhos para a criação de dispositivos eletrônicos com funcionalidades inexistentes atualmente e o desenvolvimento de computadores quânticos com maior potência.