Ciência

Pesquisadores identificam nova espécie de anfíbio ancestral a partir de fóssil encontrado na Austrália

20 de Maio de 2026 às 06:24

Pesquisadores da Universidade de Nova Gales do Sul e do Museu Australiano de Sydney identificaram a espécie extinta Arenaerpeton supinatus através de um fóssil em arenito. O anfíbio predador, com 1,2 metro de comprimento, habitou a bacia de Sydney há cerca de 240 milhões de anos. O espécime apresenta esqueleto articulado e tecidos moles preservados

Pesquisadores identificam nova espécie de anfíbio ancestral a partir de fóssil encontrado na Austrália
Universidad de Queensland

Pesquisadores da Universidade de Nova Gales do Sul e do Museu Australiano de Sydney identificaram uma nova espécie de anfíbio, batizada de *Arenaerpeton supinatus*, a partir de um fóssil preservado em arenito. O animal, ancestral dos anfíbios modernos, habitou rios de água doce na região da atual bacia de Sydney há aproximadamente 240 milhões de anos, período em que a Austrália integrava o supercontinente Gondwana e estava posicionada próxima ao Polo Sul.

O espécime pertence à ordem dos temnospondílos, grupo extinto que prosperou antes e durante a era dos dinossauros. Com cerca de 1,2 metro de comprimento, embora a cauda não esteja completa, a criatura possuía dentes e costelas que indicam um predador robusto, adaptado para caçar peixes antigos, como o *Cleithrolepis*, em ecossistemas fluviais do Triássico. A morfologia da cabeça assemelha-se à da salamandra gigante chinesa, porém com uma dentição mais agressiva e estrutura corporal mais forte.

A descoberta ocorreu de forma fortuita quando Mihail Mihailidis, um criador de galinhas aposentado, adquiriu um bloco de pedra em uma pedreira de Kincumber para construir uma barreira de contenção. Ao manusear a rocha, ele percebeu a silhueta de membros e estruturas ósseas. O material foi entregue posteriormente à instituição museológica de Sydney, resultando no estudo publicado no *Journal of Vertebrate Paleontology*.

O nível de conservação do fóssil é atípico para o arenito, material que geralmente preserva apenas fragmentos ósseos ou rastros. O *Arenaerpeton supinatus* apresenta quase todo o esqueleto, com a cabeça e o corpo articulados, além de vestígios de tecidos moles e pele. Essa preservação sugere que o animal foi depositado em um ambiente aquático calmo, com águas profundas, frias ou pobres em oxigênio, condições que retardaram a decomposição e impediram a ação de carnívoros.

Devido à raridade de encontrar esqueletos unidos e a preservação de tecidos moles, o achado é classificado como um dos fósseis mais relevantes encontrados em Nova Gales do Sul nas últimas três décadas.

Com informações de El Confidencial

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