Ciência

Pesquisadores identificam sistema de falhas em estágio inicial no Mar de Alborán

09 de Junho de 2026 às 15:11

Pesquisadores do Instituto de Ciências do Mar identificaram um sistema de falhas em estágio inicial no Mar de Alborán, a 60 quilômetros da costa de Almería. O estudo, publicado na revista Tectonics, utilizou um veículo submarino autônomo para analisar a deformação tectônica e os riscos sísmicos da região

Pesquisadores identificam sistema de falhas em estágio inicial no Mar de Alborán
J. Escartin/Frédérique Leclerc

Pesquisadores do Instituto de Ciências do Mar, vinculado ao CSIC, identificaram um sistema de falhas em estágio inicial no Mar de Alborán, localizado a 60 quilômetros da costa de Almería. O estudo, publicado na revista Tectonics, detalha a evolução da deformação tectônica e analisa os riscos sísmicos latentes em um conjunto de falhas submarinas ao sudoeste da província de Almería, que integram o sistema de falhas Norte-Sul.

A descoberta registra as fases iniciais de crescimento dessas estruturas geológicas, um fenômeno raramente observado em ambientes oceânicos. A análise foi possível graças ao uso de um veículo submarino autônomo (ROV), que forneceu dados batimétricos de alta resolução e permitiu uma análise morfotectônica com precisão métrica da crosta terrestre em áreas abissais.

A região do Mar de Alborán apresenta alta complexidade geodinâmica devido à interação entre as placas africana e euroasiática. Embora a sismicidade histórica da área seja moderada, os dados indicam que a estrutura tectônica já possui atividade evidente. A equipe técnica associa essa falha ao terremoto ocorrido em 1910 na cidade de Adra, no sudeste da Espanha, e estima que a formação possa vir a se integrar à falha de Al-Idrissi, responsável por um sismo de magnitude 6,4 em Marrocos.

Ariadna Canari, autora principal do estudo, explica que a detecção desse processo é complexa, pois as dinâmicas geológicas ocorrem em escalas de milhares de anos, representando o momento em que uma área começa a se deformar até se tornar uma falha capaz de gerar terremotos significativos. Sara Martínez-Loriente, coautora do trabalho, reforça que a tecnologia de ROVs é essencial para estudar sistemas ativos onde a observação direta é inviável.

Apesar de a costa mediterrânea ocidental ser classificada como zona de perigo moderado, o pesquisador Héctor Perea alerta que a ausência de grandes sismos em registros históricos ou instrumentais não garante a segurança total. Áreas de deformação lenta, como o Mar de Alborán, podem abrigar falhas desconhecidas, a exemplo das Norte-Sul, capazes de provocar terremotos com magnitude superior a 6 a cada milênios.

A identificação dessas fontes de sismicidade submarina é crucial para o ajuste de modelos de prevenção de desastres e a antecipação de tsunamis tectônicos. O estudo conclui que as informações geológicas devem ser integradas aos planos de ordenamento de áreas costeiras para prever cenários futuros e viabilizar estratégias de construção mais seguras.

Com informações de El Confidencial

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