Pesquisadores japoneses identificam circuito neuronal que coordena o estado de torpor em mamíferos
Pesquisadores da Universidade de Nagoya identificaram o circuito neuronal que coordena o torpor e a supressão metabólica em mamíferos. O estudo, publicado na Nature Communications, detalha como o relógio circadiano no hipotálamo regula a temperatura corporal e a economia de energia
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Pesquisadores da Universidade de Nagoya identificaram o circuito neuronal responsável por coordenar o estado de torpor e a supressão do metabolismo em mamíferos. O estudo, publicado na revista Nature Communications, detalha como o relógio circadiano cerebral opera para controlar a redução da temperatura corporal e a economia de energia, mecanismo de sobrevivência evolutivo presente em espécies como ratos e beija-flores para enfrentar a escassez de alimentos e quedas bruscas de temperatura.
A investigação conduzida no Japão revelou que o relógio biológico, situado no hipotálamo, envia sinais constantes de bloqueio para a região do cérebro que regula a temperatura. Através da optogenética, que utiliza estimulação por luz para ativar ou desativar células, a equipe confirmou que esse sistema inibe o torpor durante o dia, mantendo o organismo ativo.
O funcionamento desse processo depende das células AVP, neurônios que sintetizam a proteína arginina vasopressina e enviam impulsos inibitórios para a área preóptica (APO). De acordo com Daisuke Ono, do Research Institute of Environmental Medicine, a APO é fundamental para o início do torpor, que em ratos ocorre entre a meia-noite e o amanhecer. O relógio circadiano não inicia o torpor de forma ativa, mas reduz sua influência inibitória durante a noite. Isso permite que os circuitos de termorregulação e equilíbrio energético promovam o estado de hipometabolismo quando as condições ambientais são favoráveis.
A importância da sincronização desse canal de comunicação intercerebral foi evidenciada em testes com indivíduos que apresentavam alterações nesse mecanismo, resultando em fases de desconexão metabólica caóticas e desregulações temporárias graves.
A compreensão desse mapa neuronal possui aplicações práticas na medicina terrestre, especialmente na otimização da hipotermia induzida para reduzir danos teciduais após cirurgias complexas. Além disso, a descoberta aproxima a ciência da possibilidade de induzir estados de sono artificial em humanos, que não hibernam naturalmente, embora existam registros de sobrevivência a congelamentos extremos com sinais vitais mínimos. Esse controle do gasto energético é apontado como essencial para viabilizar missões de exploração espacial de longa duração rumo a regiões remotas, como Alfa Centauri.