Pesquisadores propõem a existência de uma rede integrada de circulação de fluidos no corpo humano
Pesquisadores propuseram a existência de uma rede integrada de circulação de fluidos nos espaços intersticiais, paralelamente aos sistemas cardiovascular e linfático. O estudo, publicado na revista Communications Biology, identificou que essa malha de colágeno e microcanais conecta diversos tecidos e órgãos do corpo
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2018/4/5/hJjijUTOeNB2w7DFDYeg/blood-1813410-1280.jpg)
Pesquisadores propõem a existência de uma rede microscópica de circulação de fluidos que atuaria paralelamente aos sistemas cardiovascular e linfático. O estudo, publicado na revista *Communications Biology* (do grupo Nature), sugere que espaços intersticiais, anteriormente interpretados como compartimentos isolados dentro de cada tecido, formariam, na verdade, uma via integrada que atravessa músculos, pele, nervos, intestino, vasos sanguíneos e estruturas profundas do organismo.
Essa estrutura é composta por feixes de colágeno organizados em uma malha tridimensional, assemelhando-se a uma tela de arame imersa em gel. Entre as fibras, existem microcanais preenchidos por água, proteínas, sais, células do sistema imune e ácido hialurônico. A continuidade dessa rede foi identificada por meio do rastreamento do ácido hialurônico entre diferentes regiões corporais, evidenciando trajetos que acompanham camadas de tecido conjuntivo, nervos e vasos sanguíneos.
Evidências concretas surgiram na análise de amostras de pele tatuada, onde partículas de tinta migraram da superfície para tecidos profundos, atingindo as fáscias. Fenômeno similar foi observado em amostras de intestino, nas quais partículas de marcação utilizadas em colonoscopias atravessaram as camadas do órgão e alcançaram áreas profundas do abdômen.
A reinterpretação do interstício como uma rede contínua oferece novas perspectivas sobre a progressão de doenças. O estudo indica que tumores podem utilizar esses caminhos preexistentes no tecido conjuntivo para se espalhar pelo corpo antes mesmo de atingirem os sistemas linfático ou cardiovascular. A hipótese também auxilia na compreensão de infecções que avançam rapidamente por tecidos profundos, a exemplo da fasciíte necrosante.
Além disso, investiga-se se essa via microscópica possibilita a comunicação entre o cérebro, o fígado e o intestino, permitindo a circulação de células imunes, fragmentos bacterianos e bactérias entre esses órgãos.
Embora a expressão "terceiro sistema circulatório" seja utilizada para descrever a função dessa rede, os autores ressaltam que não se trata da descoberta de um novo órgão ou de vasos desconhecidos. O interstício já era catalogado pela anatomia; a mudança reside na compreensão de que esses espaços não são isolados, mas sim parte de um sistema integrado de transporte de sinais biológicos e fluidos.