Pesquisadores propõem sistema de naves para neutralizar impactos de tempestades solares na Terra
Pesquisadores propuseram a criação do StormWall, uma constelação de naves que liberaria plasma para mitigar tempestades solares ao modificar a magnetosfera terrestre. Simulações indicam que seis naves reduziriam em 61% o potencial do casquete polar e em 84% o índice eletrojet auroral. O projeto exigiria o lançamento de 436.253 kg de massa, volume compatível com foguetes atuais
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Pesquisadores propõem a substituição da estratégia de apenas prever tempestades solares por um sistema de neutralização ativa, capaz de mitigar o impacto do vento solar ao modificar temporariamente a magnetosfera terrestre. O estudo, publicado na revista *Space Weather* por Brian M. Walsh, Daniel T. Welling e Z. Huang, foca na supressão da reconexão magnética, processo físico principal pelo qual a energia solar é depositada na magnetosfera.
Para viabilizar essa defesa, os autores sugerem a criação do StormWall, uma constelação de naves em órbita geosíncrona controladas da Terra. O sistema operaria liberando compostos estáveis e neutros, como lítio ou bário, que seriam transformados em plasma em poucos minutos devido à fotoionização pela radiação solar no vácuo. Como a liberação ocorreria fora da camada de Alfvén, esse plasma inundaria a fronteira da magnetosfera durante a fase principal da tempestade, funcionando como um "airbag" que reduz a eficiência da reconexão magnética e força o vento solar a desviar da Terra.
A viabilidade do projeto foi testada via simulações numéricas baseadas na tempestade geomagnética de maio de 2024, denominada "Mother's Day". Os dados indicam que a utilização de seis naves para a liberação do material reduziria em 61% o potencial do casquete polar e em 84% o índice eletrojet auroral. Além disso, a medida diminuiria drasticamente o dB/dt, responsável pelas correntes induzidas que danificam linhas de alta tensão.
A implementação do StormWall exigiria o lançamento de 436.253 kg de massa total, volume considerado compatível com a tecnologia atual. O estudo aponta que foguetes como o Long March-9 ou o Starship, da SpaceX, poderiam transportar todo o hardware em menos de dois meses. Quanto ao impacto ambiental, o plasma artificial não contaminaria a atmosfera, pois seria dispersado pelo vento solar.
A urgência de tais medidas fundamenta-se nos riscos documentados de eventos solares severos. Um episódio catastrófico, com ocorrência estimada a cada século, poderia causar prejuízos de 3,4 bilhões de dólares na rede elétrica global. Exemplos anteriores incluem a destruição do satélite ADEOS-2 e falhas em redes elétricas de latitudes altas. A Dra. Holly Gilbert alerta que eventos 10 ou 20 vezes mais fortes que o evento Carrington ocorrem a cada mil anos, tornando a vulnerabilidade da Terra uma questão de tempo. O engenheiro John Kappenman ressalta que o colapso da rede elétrica geraria desastres imediatos em hospitais, sistemas de pagamento, indústria farmacêutica e nas cadeias de distribuição de alimentos e saúde pública.
Apesar da proposta do StormWall, a estratégia de defesa deve ser complementada por medidas terrestres. O astrofísico Ethan Siegel sugere a reorganização da rede elétrica em sistemas locais e regionais independentes, com armazenamento protegido e fontes de energia menores. Para a proteção de transformadores, Kappenman indica o uso de neutros ou capacitores em série; a primeira opção, sem patente, custaria cerca de 1 bilhão de dólares nos EUA, valor significativamente menor que as perdas anuais de um a dois bilhões de dólares estimadas pela Academia Nacional de Ciências apenas para a costa leste do país.
Por fim, a implementação de um sistema de alerta precoce mais preciso é essencial. Isso envolveria o uso de inteligência artificial e a ampliação da frota de satélites para monitorar o Sol de múltiplos ângulos. Embora a Dra. Holly Gilbert preveja que a precisão das previsões seja alta em 20 anos, ela observa que o custo atual para enviar a quantidade necessária de satélites impede a visão completa da estrela.