Ciência

Pesquisadores realizam as primeiras cirurgias da história com robôs humanoides controlados remotamente

09 de Julho de 2026 às 15:11

Pesquisadores da Universidade da Califórnia em San Diego realizaram as primeiras cirurgias com robôs humanoides controlados remotamente em grandes mamíferos. O sistema Surgie, com 1,5 metro e 27 quilos, executou a remoção de vesícula biliar. O estudo foi publicado na revista Nature

Pesquisadores realizam as primeiras cirurgias da história com robôs humanoides controlados remotamente
Universidad de California San Diego

Pesquisadores da Universidade da Califórnia em San Diego realizaram as primeiras cirurgias da história utilizando robôs humanoides controlados remotamente. O estudo, publicado na revista Nature, demonstra a viabilidade de operar com máquinas que mimetizam a forma humana, diferenciando-se dos braços robóticos cirúrgicos convencionais.

Durante os testes, conduzidos em grandes mamíferos, foram realizados dois procedimentos. No primeiro, um robô atuou com o auxílio de um cirurgião humano para a remoção da vesícula biliar (colecistectomia). No segundo caso, a operação foi executada com sucesso por uma equipe composta por dois robôs humanoides.

A tecnologia, denominada Surgie, foca na telecirurgia, permitindo que o médico controle a máquina à distância. O sistema utiliza instrumentos cirúrgicos padrão, adaptados para que as mãos mecânicas possam manipulá-los. Shanglei Liu, professor adjunto de Cirurgia da instituição e responsável pelo controle remoto durante os testes, destaca que a plataforma é compacta e acessível, pesando 27 quilos e medindo 1,5 metro de altura.

Essa configuração contrasta com os sistemas robóticos tradicionais, que pesam cerca de 800 quilos e exigem a reestruturação do ambiente cirúrgico para instalação. A mobilidade e o baixo custo dos humanoides facilitariam a implementação de cirurgias em locais com escassez de recursos, como hospitais rurais, campos de batalha ou até no espaço.

O desenvolvimento ocorreu em etapas, iniciando em laboratórios controlados, passando por testes com animais e culminando em cirurgias reais. Apesar dos resultados positivos, a plataforma ainda requer aprimoramentos: os procedimentos demoraram mais que o habitual, exigiram recalibragens frequentes e apresentaram latência, que é o atraso entre o comando do cirurgião e a resposta do robô.

O objetivo central do projeto é mitigar a falta de cirurgiões e reduzir as filas de espera, combatendo desigualdades no acesso à saúde em regiões remotas. Ryan Broderick, professor associado de Cirurgia da universidade, aponta que a evolução da cirurgia robótica tende a superar as dificuldades iniciais de lentidão e peso, como ocorreu em gerações anteriores da tecnologia.

A perspectiva futura envolve a criação de assistentes cirúrgicos autônomos. Michael Yip, docente do Departamento de Engenharia Elétrica e Informática da instituição, projeta um cenário onde robôs e humanos trabalhem de forma integrada, com as máquinas não apenas operando, mas organizando a sala e fornecendo instrumentais.

Essa tendência de expansão dos humanoides já é observada em outros setores, como logística, serviços e defesa, devido à capacidade de operar em espaços projetados para pessoas. Projeções da Morgan Stanley indicam que, na China, a produção anual desses robôs deve chegar a 446 mil unidades em 2030, com os modelos de tamanho completo dominando 70% do mercado até 2028, partindo de 30% em 2026.

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