Ciência

Pesquisadores registram tubarão-duende em seu habitat natural no Pacífico Central

16 de Junho de 2026 às 09:23

Pesquisadores do Minderoo-UWA Deep-Sea Research Centre e da Universidade de Hawái em Manoa gravaram o tubarão-duende no Pacífico Central. Os registros ocorreram em 2019, a 1.237 metros, e em 2024, a 1.997 metros de profundidade. O estudo, publicado no Journal of Fish Biology, expande a distribuição geográfica e a profundidade conhecida da espécie

Pesquisadores registram tubarão-duende em seu habitat natural no Pacífico Central
YouTube/Minderoo-UWA Deep-Sea Research Centre

Pesquisadores do Minderoo-UWA Deep-Sea Research Centre e da Universidade de Hawái em Manoa registraram, em seu habitat natural, exemplares do tubarão-duende (*Mitsukurina owstoni*), espécie considerada um fóssil vivo. O estudo, publicado no Journal of Fish Biology, baseia-se em duas gravações realizadas no Pacífico Central, superando a limitação anterior de observar o animal apenas após capturas acidentais em redes de pesca, situações nas quais a espécie não sobrevivia à subida para a superfície.

As imagens foram obtidas em profundidades distintas. O primeiro registro ocorreu em 2019, a 1.237 metros, próximo a um monte submarino ao noroeste da ilha Jarvis, utilizando um veículo remotamente operado (ROV). O segundo registro aconteceu em 2024, na fenda de Tonga, onde uma câmera descente capturou o animal a 1.997 metros de profundidade. Durante a expedição de 2024, foram gravados mais de 50 dias de vídeo em profundidades que variaram entre 800 e 10.800 metros, embora a aparição do tubarão tenha durado apenas alguns segundos.

Único representante atual da família Mitsukurinidae, o tubarão-duende pertence a um grupo com aproximadamente 125 milhões de anos. A espécie possui características anatômicas marcantes, como mandíbulas projetáveis para a captura de presas e um focinho alongado.

Essas observações ampliam a distribuição geográfica e a profundidade conhecida da espécie. Anteriormente, o tubarão-duende era identificado principalmente em pontos do Atlântico, do Índico e em áreas costeiras dos Estados Unidos (costa oeste), Austrália e Japão. Os novos dados situam o animal a centenas de metros abaixo dos registros confirmados até então e expandem sua presença no Pacífico Central.

A obtenção dessas imagens, dificultada pela pressão extrema e escuridão do oceano profundo, permite que a espécie seja integrada a listas nacionais de biodiversidade e a estratégias de gestão regional.

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