Ciência

Pesquisadores suíços desenvolvem técnica de bioimpressão 3D com eficiência 70 vezes maior que métodos anteriores

25 de Maio de 2026 às 09:07

Pesquisadores da EPFL aprimoraram a fabricação aditiva volumétrica tomográfica com o uso de hologramas que modulam a fase de lasers. A técnica aumentou a eficiência em 70 vezes, permitindo a criação de estruturas biológicas e modelos em tamanho real. Testes com células vivas em estruturas de 64 milímetros cúbicos mantiveram a viabilidade celular por seis dias

Pesquisadores suíços desenvolvem técnica de bioimpressão 3D com eficiência 70 vezes maior que métodos anteriores
Escuela de Ingeniería de la EPFL

Pesquisadores do Laboratório de Dispositivos Fotônicos Aplicados, da Escola de Engenharia da EPFL, desenvolveram um aprimoramento na fabricação aditiva volumétrica tomográfica (TVAM). O sistema, detalhado na revista *Light: Science & Applications*, utiliza luz laser para solidificar resinas fotossensíveis em objetos tridimensionais, diferenciando-se de métodos anteriores ao empregar hologramas que modulam a fase das ondas luminosas, e não apenas a sua intensidade, para codificar formas em 3D.

Essa inovação resultou em uma eficiência 70 vezes maior do que as técnicas holográficas precedentes. O uso de um dispositivo que controla a fase do feixe de luz permitiu a solidificação de objetos milimétricos em segundos e de peças centimétricas em poucos minutos. Com essa plataforma, a equipe produziu um modelo de orelha humana em tamanho real utilizando uma resina à base de gelatina.

Para viabilizar a bioimpressão com células vivas, que naturalmente dispersam a luz e prejudicam a nitidez das formas, os cientistas integraram o motor óptico a feixes autorreparáveis. A estratégia também incluiu a redução do "blooming", fenômeno responsável por criar superfícies granuladas. Christophe Moser, responsável pelo laboratório, afirma que a precisão e a eficiência do método tornam possível a bioimpressão de estruturas semelhantes a tecidos em escala próxima à clínica, permitindo a criação de peças maiores mesmo com a dispersão luminosa causada pelas células.

Em testes realizados com uma estrutura de 64 milímetros cúbicos, as células mantiveram a viabilidade por seis dias e desenvolveram redes organizadas. Maria Alvarez-Castaño, autora principal do estudo, ressalta que a técnica viabiliza a fabricação de implantes de tamanho real e biologicamente compatíveis utilizando fontes de laser de baixa potência.

Embora a produção da orelha em 3D ainda esteja em fase de pesquisa e não represente um implante imediato para uso cirúrgico, o avanço técnico permite a criação de estruturas biológicas mais rápidas, precisas e extensas. O grupo suíço agora trabalha para elevar a fidelidade da projeção e investigar os limites da conformação de feixes em bioplásticos com alta densidade celular, além de desenvolver a capacidade de imprimir detalhes microscópicos ou de atuar sobre objetos já existentes.

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