Pintura azul em Pompeia pode ter custado até 90% do salário anual de um soldado romano
Arqueólogos estimaram o custo do azul egípcio utilizado na Sala Azul em Pompeia, equivalente a entre 50% e 90% da renda anual de um soldado romano. O valor foi calculado com base nas quantidades necessárias para pintar as paredes azuis. A análise revelou que os proprietários da casa eram membros da elite de Pompeia, que usavam pigmentos caros para sinalizar status cultural
Arqueólogos revelaram que o azul egípcio utilizado na Sala Azul em Pompeia poderia ter custado até 90% da renda anual de um soldado romano, equivalendo a entre 93 e 168 denários. A estimativa foi feita por meio do cálculo das quantidades necessárias para pintar as paredes azuis.
A Sala Azul era parte de uma grande casa luxuosa próxima ao centro da cidade antiga Pompeia. O cômodo possivelmente funcionava como um sacrário, onde rituais eram realizados e objetos sagrados guardados. As paredes cobertas com tinta azul brilhante chamaram a atenção dos arqueólogos.
A análise feita por meio de microscopia de raios X multiescala revelou que os pintores usaram entre 6 e 11 libras do pigmento. Com base nesse volume, foi possível estimar o custo da decoração em relação ao valor registrados no período romano.
Os pesquisadores também compararam a despesa com o pagamento de um soldado na época da erupção do Monte Vesúvio. O rendimento anual desses militares era de cerca de 187 denários, situando o gasto em pigmento entre 50% e 90% dessa quantia.
O estudo também destacou a sofisticação envolvida no processo de produção do azul egípcio, que foi criado há mais ou menos cinco mil anos. O material era usado na época como alternativa ao lápis-lazúli e se espalhou pelo Império Romano.
A escolha artística da Sala Azul sugere a pertinência dos proprietários à elite de Pompeia, que usavam pigmentos caros para sinalizar status cultural.