Ciência

Pitões revelam segredo da perda de peso: uma molécula natural que controla apetite

06 de Abril de 2026 às 06:23

Um estudo publicado na Nature Metabolism identificou uma molécula chamada pTOS no sangue de pitões após alimentação. A pesquisa, liderada pela professora Leslie Leinwand, analisou amostras de sangue e observou que a substância aumentava significativamente em 1.000 vezes. Estudos com ratos obesos sugerem que o pTOS pode ajudar no controle do apetite e na perda de peso sem causar problemas gastrointestinais

Pitões revelam segredo da perda de peso: uma molécula natural que controla apetite
Reuters/Hollie Adams

Um estudo recente publicado na Nature Metabolism trouxe à tona uma molécula chamada para-tiramina-O-sulfato (pTOS), encontrada no sangue de pitões após alimentação. A pesquisa, realizada por cientistas da Universidade de Colorado Boulder, Stanford University e Baylor University, busca entender como essa substância pode ajudar a controlar o apetite e promover perda de peso.

A equipe liderada pela professora Leslie Leinwand analisou amostras de sangue de pitões-bola (Python regius) e pitões-birmanas (Python bivittatus), alimentados uma vez a cada 28 dias. Após comer, os pesquisadores identificaram 208 metabolitos que aumentavam significativamente no sangue dos répteis, mas um se destacou: o pTOS chegava a elevar-se 1.000 vezes.

O interesse em essa molécula não é apenas pela sua origem, mas sim pelo seu potencial como tratamento contra a obesidade. A equipe administraram altas doses de pTOS a ratos obesos e magros e observou um claro efeito no apetite. O composto atuou no hipotálamo, região do cérebro relacionada à fome, favorecendo a perda de peso sem causar problemas gastrointestinais ou outros efeitos colaterais.

A descoberta é particularmente interessante porque os ratos não produzem pTOS naturalmente. No entanto, os humanos apresentam níveis baixos da substância na urina, que aumenta um pouco após a alimentação. Isso sugere que o pTOS pode ter uma rota biológica diferente dos medicamentos GLP-1, como Ozempic e Wegovy.

A equipe está agora trabalhando em aplicar essas descobertas para desenvolver novos tratamentos contra a obesidade através da empresa emergente Arkana Therapeutics. Além disso, pretendem estudar outras substâncias que aumentaram significativamente no sangue dos pitões após alimentação.

A ideia central é clara: o futuro da perda de peso pode não depender apenas dos atuais medicamentos, mas sim do que a natureza aperfeiçoou ao longo de milhões de anos. A pesquisa em andamento busca inspirar futuras descobertas e oferecer novas esperanças para aqueles lutando contra o excesso de peso.

Com informações de El Confidencial

Notícias Relacionadas