Ciência

Poluição do ar em São Paulo aumenta risco de internações por doenças renais, indica estudo

14 de Maio de 2026 às 18:07

Estudo publicado na Scientific Reports indica que a poluição por material particulado fino em São Paulo eleva o risco de internações por doenças renais. A pesquisa da USP analisou dados entre 2011 e 2021, registrando concentrações de PM2.5 quatro vezes superiores ao limite da OMS

Poluição do ar em São Paulo aumenta risco de internações por doenças renais, indica estudo
Poluição urbana em São Paulo é associada ao aumento de doenças renais em estudo brasileiro

A poluição atmosférica em São Paulo está diretamente ligada ao aumento do risco de internações por doenças renais, conforme aponta estudo publicado na revista Scientific Reports em 16 de fevereiro. A pesquisa, apoiada pela Fapesp, analisou dados entre 2011 e 2021 e identificou concentrações de material particulado fino (PM2.5) que atingiram 65 μg/m³, valor quatro vezes superior ao limite diário de 15 μg/m³ recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

O material particulado fino é composto por partículas com menos de 2,5 micrômetros de diâmetro, originadas principalmente da queima de combustíveis fósseis em veículos. Devido ao tamanho reduzido, essas partículas penetram profundamente no organismo, alcançam a corrente sanguínea e atingem os tecidos renais. A reação do corpo ao tentar combater esse material estranho desencadeia processos inflamatórios silenciosos que, com a exposição contínua, podem acelerar o desenvolvimento de insuficiência renal crônica e glomerulopatias, que afetam as estruturas de filtragem do sangue nos rins.

A investigação, coordenada pela professora Lucia Andrade, da Faculdade de Medicina da USP, e com a participação da pesquisadora Iara da Silva e de especialistas do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP (IAG-USP), revelou que a associação com problemas renais ocorre mesmo em níveis de poluição considerados aceitáveis pela OMS. Como as doenças renais evoluem lentamente e raramente apresentam sinais claros nos estágios iniciais, a poluição urbana atua como um fator agravante invisível. Em quadros graves, a progressão da doença pode levar a pacientes dependentes de hemodiálise ou aguardando transplantes.

Para fundamentar a análise de dados hospitalares, a equipe realizou testes experimentais com camundongos. Um grupo foi exposto ao ar poluído da capital paulista, enquanto outro respirou o mesmo ar após filtragem completa. Os animais expostos ao material particulado apresentaram quadros renais severos, com morte celular, aumento de inflamações, perda da função de filtragem, maior fibrose e sinais de envelhecimento precoce dos tecidos.

Esses achados integram o projeto “A poluição do ar é o motor do envelhecimento renal prematuro”, financiado pela Fapesp e pela Organização Neerlandesa para a Pesquisa Científica (NWO). A linha de pesquisa se conecta ao projeto Metroclima Masp, coordenado por Maria de Fátima Andrade no IAG-USP, que estuda a qualidade do ar e as mudanças climáticas na Região Metropolitana de São Paulo.

O avanço dessas patologias impacta a qualidade de vida da população e eleva os custos da saúde pública, dado que tratamentos renais exigem medicamentos caros e acompanhamento contínuo. Diante desse cenário, os pesquisadores defendem a implementação de políticas rígidas de controle da poluição, com foco na redução da dependência de combustíveis fósseis e no incentivo ao transporte sustentável, tratando a qualidade do ar como uma estratégia essencial de prevenção em saúde pública.

Com informações de Click Petróleo e Gás

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