População nos Andes argentinos desenvolveu adaptação genética para tolerar arsênio na água
Cientistas confirmaram uma adaptação genética única de moradores nos Andes argentinos que lhes permite metabolizar o arsênio. A pesquisa foi feita na cidade San Antonio de los Cobres, localizada a 3.700 metros acima do nível do mar. O estudo mostrou que as variantes no gene AS3MT favorecem a conversão eficiente da substância em formas menos nocivas.
Essa adaptação genética foi resultado da seleção natural após exposição prolongada de altos níveis de arsênio durante pelo menos 7 mil anos. A pesquisa é considerada uma das primeiras evidências claras de evolução humana em resposta a um agente químico tóxico.
Os científicos enfatizam que esse achado expande o conhecimento sobre como o ambiente pode moldar nossa biologia e reforça a ideia de que os seres humanos continuam mudando
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A descoberta mais recente na área da genética humana revela que uma população nos Andes argentinos desenvolveu uma adaptação única para tolerar o arsênio. Esse agente químico, presente na água de algumas regiões do norte da Argentina, seria perigoso para a maioria das pessoas em todo o mundo.
Os cientistas que lideraram essa pesquisa noticiada há mais de uma década observaram inicialmente que alguns habitantes dessa área metabolizavam o arsênio diferentemente. Essa descoberta foi agora confirmada por meio do estudo genético dos moradores da cidade San Antonio de los Cobres, situada a 3.700 metros acima do nível do mar.
O DNA dessas pessoas apresentou variantes relacionadas ao gene AS3MT, que desempenha um papel crucial no processamento do arsênio. O estudo mostrou que essas características genéticas favorecem a conversão eficiente da substância em formas menos nocivas.
A chave para esse fenômeno está na seleção natural. A exposição prolongada de altos níveis de arsênio durante pelo menos 7 mil anos teria favorecido os indivíduos com maior capacidade de tolerá-lo, permitindo que sobrevivessem e transmitissem essa vantagem genética.
Os científicos enfatizam que esse achado é uma das primeiras evidências claras de evolução humana em resposta a um agente químico tóxico. Esse resultado amplia o conhecimento sobre como o ambiente pode moldar nossa biologia e reforça a ideia de que os seres humanos continuam mudando, não apenas diante dos fatores clássicos da altitude ou do clima, mas também em resposta às ameaças invisíveis presentes no seu meio.