Portugal constrói porto espacial nos Açores para lançamentos de foguetes e satélites de pequeno porte
Portugal constrói um porto espacial na ilha de Santa Maria para lançamentos de foguetes e satélites de pequeno porte, com a primeira operação prevista para o segundo semestre de 2026. O país também desenvolve a fabricação de satélites em Lisboa, Coimbra e Porto, visando ter 30 equipamentos em órbita até 2030
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Portugal está expandindo sua infraestrutura aeroespacial com a construção de um porto espacial na ilha de Santa Maria, nos Açores. O projeto visa estabelecer um centro de lançamentos economicamente viável para foguetes e satélites de pequeno porte, funcionando como um complemento estratégico ao porto espacial europeu de Kourou, na Guiana Francesa. A localização no Atlântico, em área desabitada, é considerada ideal para a operação de espaçonaves reutilizáveis.
A primeira etapa operacional ocorrerá no segundo semestre de 2026, com o pouso na água da cápsula de transporte Phoenix 2.1, da empresa alemã Atmos Space Cargo, após a aprovação das autoridades portuguesas. Este será o primeiro pouso desse tipo em território da União Europeia. Posteriormente, em 2028, a nave de carga europeia Space Rider deverá aterrissar na região, utilizando paraquedas gigantes ao lado de uma antiga pista da Segunda Guerra Mundial. A previsão é que a infraestrutura local, que utilizará recursos da região para impulsionar a economia da ilha, gere 35 empregos diretos após a conclusão.
Paralelamente ao porto espacial, o país desenvolve a fabricação de satélites em três centros principais: um em Lisboa, com foco em cooperação com as Forças Armadas; outro em Coimbra, operado pela multinacional Open Cosmos; e um terceiro no Porto, sob responsabilidade do consórcio CEiiA. Estes equipamentos, destinados a aplicações comerciais, militares e de monitoramento — como observação da Terra, oceanos e combate a incêndios florestais —, possuem custos entre 20 milhões e 30 milhões de euros, diferenciando-se dos grandes satélites que podem chegar a 500 milhões de euros.
O consórcio CEiiA, que ingressou no setor em 2018, planeja expandir sua capacidade de produção com a criação de um novo centro próximo a Guimarães, em parceria com a universidade local. Atualmente, a organização fabrica quatro satélites civis por ano, com peso máximo de 500 quilos, e busca aumentar esse volume para atrair contratos internacionais e focar em imagens de alta resolução.
O setor espacial português já movimenta cerca de 2 mil profissionais qualificados distribuídos em 80 empresas, que geraram 200 milhões de euros em receitas no ano passado. A meta da Agência Espacial Portuguesa é ter 30 satélites em órbita até 2030, incluindo projetos em cooperação com a Espanha e iniciativas europeias, com ênfase crescente na área militar.