Presença de lampreia marinha é confirmada no rio de Huelva após suspeita de extinção regional
A Estação Biológica de Doñana confirmou a presença da lampreia marinha no rio de Huelva após capturar um exemplar adulto. A espécie é classificada em perigo crítico de extinção na Espanha
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A Estação Biológica de Doñana, vinculada ao CSIC, confirmou a presença da lampreia marinha (*Petromyzon marinus*) no rio de Huelva, principal afluente do Baixo Guadalquivir. A descoberta ocorreu com a captura e posterior soltura de um exemplar adulto com quase um metro de comprimento, revertendo a percepção científica de que a espécie teria desaparecido da bacia do rio mais importante da Andaluzia.
A sobrevivência desse animal é um dado crítico, já que a espécie está classificada em perigo crítico de extinção na Espanha e os registros no Guadalquivir durante o século XXI eram insuficientes para garantir sua permanência. A escassez de dados recentes e a queda generalizada de peixes migratórios no sul da Península Ibérica alimentavam a suspeita de que a espécie tivesse sido extinta na região.
O declínio desses animais está diretamente ligado à construção de infraestruturas fluviais. A barragem de Alcalá del Río, instalada acima de Sevilha em 1931, interrompeu a conexão de grande parte da bacia com o oceano, prejudicando espécies anádromas. Miguel Clavero, pesquisador do CSIC, aponta que esse cenário, somado à sobrepesca, levou à extinção de outros peixes na região, como o esturião (*Acipenser sturio*) e os sábalos (*Alosa alosa*).
Considerada um fóssil vivo com origem estimada em mais de 500 milhões de anos, a lampreia marinha possui características primitivas, como corpo alongado, ausência de mandíbulas e boca circular em formato de ventosa. Seu ciclo reprodutivo exige a natação contra a correnteza, enquanto as larvas passam mais de cinco anos enterradas em sedimentos arenosos filtrando a água. Somente após esse período tornam-se juvenis, desenvolvendo dentes de marfim, olhos funcionais e a boca adaptada para fixação em outros peixes na fase marinha.
A parte inferior do rio de Huelva, que mantém a conexão com o mar e o estuário, pode oferecer as condições necessárias para a reprodução da espécie, embora tal processo ainda não tenha sido documentado na bacia do Guadalquivir. Para viabilizar a recuperação dos peixes migratórios, os pesquisadores indicam a necessidade de remover barreiras físicas, como as barragens de Cantillana e Alcalá del Río, além de monitorar a ameaça representada por espécies invasoras, a exemplo do bagre.