Professor da Universidade de Würzburg recebe Prêmio Alemão do Câncer por pesquisas sobre a ferroptose
José Pedro Friedmann Angeli, professor da Universidade de Würzburg, venceu o Prêmio Alemão do Câncer por pesquisas sobre a ferroptose. O estudo analisa a morte celular por oxidação de ácidos graxos para criar fármacos contra tumores resistentes. A transição para ensaios clínicos deve ocorrer entre 10 e 15 anos
O pesquisador e professor da Universidade de Würzburg, José Pedro Friedmann Angeli, recebeu o Prêmio Alemão do Câncer na categoria de pesquisa experimental. O reconhecimento deve-se aos avanços no entendimento da biologia e dos processos fundamentais de regulação da ferroptose, um mecanismo de morte celular relacionado à degradação de gorduras.
A ferroptose ocorre por meio da oxidação de ácidos graxos, processo no qual o oxigênio modifica os lipídios que compõem as células, tornando-as vulneráveis ao ataque de espécies reativas de oxigênio. Esse fenômeno apresenta uma natureza dual: enquanto pode contribuir para o desenvolvimento de certas patologias, sua indução controlada surge como uma estratégia para combater neoplasias.
O trabalho de Angeli combina a biologia básica com a criação de novos fármacos, tendo ajudado a elucidar a função essencial de uma enzima e a desenvolver compostos com potencial terapêutico. A abordagem é considerada promissora porque tumores agressivos e resistentes às terapias atuais demonstraram sensibilidade à ferroptose em ambiente laboratorial, abrindo caminho para a eliminação de células que não respondem a drogas convencionais.
Embora a ferroptose seja objeto de estudos recentes em diversos países, inclusive no Brasil, muitos de seus mecanismos moleculares ainda estão em fase de descoberta. O pesquisador estima que, devido ao estágio preliminar dos estudos, a transição para ensaios clínicos ocorra em um período de 10 a 15 anos.