Ciência

Professor de Columbia propõe modelo matemático para analisar a existência de vida inteligente no universo

12 de Junho de 2026 às 09:18

David Kipping, da Universidade de Columbia, propôs a Hipótese Cosmológica de Hart-Tipler para analisar a vida inteligente no universo integrando a expansão cósmica. O modelo matemático utiliza a Constante de Hubble-Lemaître e indica que a taxa de surgimento de infecções artificiais deve ser inferior a uma em cada 10 bilhões de sistemas estelares

Professor de Columbia propõe modelo matemático para analisar a existência de vida inteligente no universo
Inteligencia artificial/Novaceno

O professor David Kipping, da Universidade de Columbia e diretor do Laboratório de Mundos Frios, propôs um novo modelo matemático para analisar a possibilidade de vida inteligente no universo, expandindo a discussão sobre a chamada "Paradoixa de Fermi". A nova abordagem, denominada Hipótese Cosmológica de Hart-Tipler (CCHT), diferencia-se de teorias anteriores ao integrar a expansão cósmica em seus cálculos, movendo o foco da escala galáctica para a escala universal.

A base desse debate remonta a 1950, quando o físico Enrico Fermi questionou a ausência de evidências de visitas extraterrestres, considerando a viabilidade do transporte interestelar. Posteriormente, na década de 1970 e início dos anos 1980, Michael Hart e Frank Tipler formalizaram a Hipótese de Hart-Tipler, argumentando que, se civilizações tecnológicas tivessem desenvolvido computação avançada e máquinas autorreplicantes — as sondas de Von Neumann —, a Via Láctea já estaria colonizada. Para os autores, a falta de provas indicaria que a humanidade seria a única civilização inteligente.

Embora Carl Sagan e William Newman tenham contestado esses cálculos em 1983, questionando a premissa de que civilizações buscariam expansão ilimitada, Kipping observa que avanços contemporâneos em inteligência artificial, impressão 3D e viagens espaciais comerciais tornam a criação de sondas autorreplicantes um cenário iminente.

O modelo de Kipping substitui a ideia específica de sondas por um conceito mais amplo de "infecção artificial", que pode abranger desde programas de colonização e patógenos biológicos interestelares até máquinas movidas por IA. A equação desenvolvida baseia-se em três parâmetros: a taxa de surgimento de vida inteligente ($\lambda$), a taxa de propagação ($u$) e o tempo de início do cálculo ($t$).

Um fator determinante na análise é a Constante de Hubble-Lemaître, que define a expansão do cosmos a 73,5 km/s por megaparsec. Kipping descobriu que, embora a expansão cósmica atue como uma espécie de "fricção" que dificulta a propagação de infecções entre galáxias, velocidades de sondas de até 10% da velocidade da luz ainda seriam capazes de infectar universos inteiros, dado que tais sementes de infecção surgiriam aleatoriamente em diversos pontos do espaço.

No modelo, uma galáxia passa do estado não infectado para o infectado seja pelo surgimento interno de uma civilização tecnológica ou por uma infecção externa. A "infecção" aqui não implica necessariamente esterilização, mas a anulação da habitabilidade local, fazendo com que a galáxia deixe de emitir sinais reconhecíveis de vida.

Os resultados estatísticos do estudo impõem restrições severas à existência de outras civilizações. Kipping aponta que, se a frequência de infecções fosse superior a uma em cada 100 mil galáxias, 99,9% do universo já estaria infectado. Para que a realidade observada seja coerente, a taxa de surgimento de tais infecções precisaria ser inferior a uma em cada 10 bilhões de sistemas estelares.

Essa conclusão coloca em xeque teorias como a do "Grande Filtro", que sugere a existência de um obstáculo evolutivo intransponível. Kipping argumenta que a abiogênese parece ter sido um processo rápido e fácil, e que a ideia de um filtro futuro tão poderoso a ponto de suprimir a vida em escala universal é difícil de sustentar, dado que civilizações mais sábias que a humana provavelmente superariam tais desafios.

Apesar do rigor matemático, o pesquisador admite que os dados atuais não permitem chegar a uma conclusão definitiva sobre a solidão da humanidade no cosmos, mantendo a questão em aberto.

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