Ciência

Projeto da Coppe/UFRJ busca adaptar a produção de lúpulo ao clima tropical no Brasil

16 de Maio de 2026 às 12:03

Pesquisadores da Coppe/UFRJ desenvolvem projeto para adaptar a produção de lúpulo ao clima tropical brasileiro. A iniciativa visa estruturar a cadeia produtiva e reduzir a dependência de importações, suprindo atualmente 1,11% do consumo interno. O planejamento inclui a publicação do Mapa do Lúpulo Brasileiro 2024 em parceria com a Aprolúpulo

Projeto da Coppe/UFRJ busca adaptar a produção de lúpulo ao clima tropical no Brasil
© REUTERS/PETER GERCKE/DIREITOS RESERVADOS

Pesquisadores do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa em Engenharia (Coppe/UFRJ) desenvolvem um projeto para adaptar a produção de lúpulo ao clima tropical, visando transformar o Brasil em uma referência global no fornecimento da matéria-prima. A iniciativa, conduzida no Centro Avançado em Sustentabilidade, Ecossistemas Locais e Governança (Casulo), busca replicar o sucesso de escala e competitividade alcançados anteriormente pelas culturas de soja e trigo no país.

O lúpulo é fundamental para a indústria cervejeira, pois seus cones garantem aroma, amargor e estabilidade à bebida. Além disso, a planta possui compostos com aplicações nos setores farmacêutico, de cosméticos, etanol e alimentos. O projeto da Coppe prevê a estruturação de toda a cadeia produtiva, integrando a agricultura de precisão ao processamento industrial e ao controle de qualidade em laboratórios próprios.

Um dos pilares da estratégia é a produção de extratos de lúpulo por meio de tecnologia de extração com CO₂. Esses insumos de alto valor agregado permitem a entrega de produtos padronizados e rastreáveis, atendendo desde cervejarias artesanais até a indústria farmacêutica.

Para orientar investimentos, políticas públicas e pesquisas, o Casulo/Coppe firmou parceria com a Associação Brasileira do Lúpulo (Aprolúpulo), resultando na publicação do Mapa do Lúpulo Brasileiro 2024, em março de 2026. O documento serve como base para o planejamento de locais de cultivo, definição de infraestrutura, capacitação técnica e desenvolvimento de protocolos de pós-colheita e melhoramento genético adequados ao clima tropical.

A viabilidade do projeto baseia-se em uma vantagem climática: enquanto regiões de clima frio realizam apenas uma safra anual, o uso de suplementação luminosa e manejo tecnológico no Brasil pode permitir a colheita de até 2,5 safras por ano.

Atualmente, a dependência de importações é alta. Em 2024, a produção mundial de lúpulo foi de 114 mil toneladas, enquanto o Brasil produziu 81 toneladas. Com uma demanda interna de aproximadamente 7 mil toneladas — mercado estimado em R$ 878 milhões anuais —, o país supre apenas 1,11% do próprio consumo. A consolidação de um ecossistema que conecte pesquisa, indústria e mercado visa acelerar a substituição dessas importações e fomentar o desenvolvimento regional com a geração de empregos qualificados.

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