Ciência

Quaise Energy utiliza ondas milimétricas para viabilizar a extração de energia geotérmica profunda nos Estados Unidos

15 de Maio de 2026 às 12:09

A Quaise Energy utiliza ondas milimétricas via giratrones para extrair energia geotérmica profunda nos Estados Unidos. O Project Obsidian, em Oregon, visa atingir 4,8 quilômetros de profundidade para gerar 50 MW de eletricidade a partir de 2030. A próxima etapa prevê o uso de um giratron de 1 MW para perfurar um poço de 1 km

Quaise Energy utiliza ondas milimétricas para viabilizar a extração de energia geotérmica profunda nos Estados Unidos
Quaise Energy

A Quaise Energy desenvolve um sistema de perfuração baseado em ondas milimétricas para viabilizar a extração de energia geotérmica profunda nos Estados Unidos. A tecnologia utiliza giratrones, dispositivos que emitem feixes eletromagnéticos de 105 GHz para aquecer, fundir, erodir ou vaporizar rochas sem a necessidade de contato mecânico. O método é híbrido: a perfuração convencional é aplicada nos trechos iniciais, enquanto as ondas milimétricas assumem o processo em terrenos mais complexos, superando a limitação de desgaste de brocas e os altos custos de perfuração em zonas profundas e resistentes.

O foco atual da empresa é o Project Obsidian, localizado ao sul de Bend, Oregon, nas proximidades do vulcão Newberry. A escolha da região deve-se ao fato de o calor geotérmico estar mais próximo da superfície nesta estrutura vulcânica ativa, que possui 121 km de comprimento, 43 km de largura e cuja última erupção ocorreu há aproximadamente 1.300 anos. A meta da primeira fase é atingir profundidades de 4,8 quilômetros, onde as temperaturas médias giram em torno de 315 °C, com picos de 365 °C. Caso a viabilidade seja comprovada, a instalação deve operar a partir de 2030, com capacidade de gerar 50 MW de eletricidade constante.

Testes prévios realizados no Texas serviram para refinar a técnica. Em Houston, o sistema foi utilizado para vitrificar as paredes do poço. Posteriormente, em Marble Falls, a empresa testou a erosão da rocha para transformá-la em pó, material que era removido por ar comprimido e filtrado na superfície. Esta segunda abordagem mostrou-se mais eficiente e rápida, permitindo que a Quaise Energy alcançasse 118 metros de profundidade com um giratron de 100 kW. A operação foi interrompida na ocasião por falta de seções de guia de onda — peças metálicas que transportam a energia ao fundo do poço —, problema que a companhia afirma ter resolvido em sua cadeia de suprimentos.

A etapa seguinte prevê o uso de um giratron de 1 MW para perfurar um poço com 215,9 mm de diâmetro e 1 km de profundidade. Segundo Carlos Araque, CEO e cofundador da Quaise Energy, a tecnologia pretende tornar viáveis usinas geotérmicas de escala de gigawatts globalmente, inclusive em áreas onde a extração de energia térmica do solo era anteriormente impossível.

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