Ciência

Queda de árvore revela urnas cerâmicas e esferas pré-históricas em sítio arqueológico no Amazonas

20 de Maio de 2026 às 12:10

A queda de uma árvore no sítio arqueológico Lago do Cochila, em Fonte Boa, revelou esferas pré-históricas e sete urnas cerâmicas. Dois recipientes continham restos humanos e de animais, enquanto a composição de argila verde-escura indica uma tradição cerâmica distinta. O material foi transportado via canoa para o Instituto Mamirauá, em Tefé

Queda de árvore revela urnas cerâmicas e esferas pré-históricas em sítio arqueológico no Amazonas
Geérgea Layla Holanda

A queda de uma árvore em uma região remota da Amazônia brasileira expôs esferas pré-históricas e sete urnas cerâmicas no sítio arqueológico Lago do Cochila, localizado no município de Fonte Boa. Entre os recipientes, dois de grande porte abrigavam restos humanos e de animais, como tartarugas e peixes, sugerindo a existência de rituais funerários associados a elementos alimentares.

As urnas foram encontradas a 40 centímetros de profundidade, possivelmente sob antigas habitações. A ausência de tampas cerâmicas indica que o fechamento dos vasos foi feito com materiais orgânicos que se decompuseram ao longo do tempo. Um detalhe técnico relevante é a composição de algumas peças em argila verde-escura, material raro no Alto Solimões. Essa característica aponta para uma tradição cerâmica avançada, distinta de estilos conhecidos, como a Tradição Polícroma Amazônica.

O local da descoberta é uma várzea composta por ilhas artificiais, erguidas com terra e fragmentos de cerâmica para permitir a habitação durante as cheias dos rios. A complexidade dessas plataformas evidencia um domínio técnico sofisticado das populações que habitaram a área há séculos ou milênios.

A recuperação dos artefatos contou com a colaboração dos moradores da comunidade de São Lázaro do Arumandubinha. Para acessar as urnas, foi construída uma estrutura de madeira e cipós que permitiu a intervenção a 3,20 metros de altura, técnica inédita em pesquisas do gênero.

Para garantir a preservação do material, foi utilizado um sistema de embalagem artesanal com suportes de madeira, bolhas protetoras, bandagens de gesso e plástico. O transporte seguiu via canoa até o laboratório do Instituto Mamirauá, em Tefé, em um trajeto que levou entre 10 e 12 horas, dependendo das condições do rio.

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