Ciência

Reator solar de Cambridge converte plásticos e ácidos de baterias em hidrogênio e compostos químicos

06 de Abril de 2026 às 21:52

Pesquisadores da Universidade de Cambridge desenvolveram um reator solar que transforma plásticos complexos e ácido de baterias em hidrogênio e ácido acético. O sistema utiliza a fotoformação ácida para processar resíduos sem demandar altas temperaturas. Em laboratório, a tecnologia operou por mais de 260 horas sem perda de desempenho

Um novo reator movido a energia solar, desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Cambridge, é capaz de converter plásticos de difícil reciclagem e ácido de baterias usadas em hidrogênio limpo e compostos químicos de valor industrial. O sistema integra dois tipos de resíduos problemáticos para transformá-los em recursos, aplicando os conceitos de economia circular por meio de um processo de fotoformação ácida. Essa técnica dispensa a necessidade de altas temperaturas e do elevado consumo energético geralmente exigido por processos de reciclagem química.

O funcionamento ocorre a partir do reaproveitamento do ácido extraído de baterias automotivas, que representam entre 20% e 40% do volume desses componentes e costumam ser neutralizados e descartados após a recuperação do chumbo. No reator, esse ácido é utilizado para romper as longas cadeias de polímeros de materiais como espumas de poliuretano, tecidos de náilon e garrafas plásticas, gerando moléculas simples, a exemplo do etilenoglicol.

Na sequência, um fotocatalisador resistente a meios corrosivos utiliza a luz solar para converter esses compostos em ácido acético — amplamente empregado na indústria química — e hidrogênio limpo. A tecnologia se diferencia ao processar plásticos complexos e mistos, superando a limitação de sistemas que focam apenas em materiais simples como o PET. A abordagem não busca retornar o plástico à sua forma original, mas transformá-lo em novos produtos úteis.

A relevância da descoberta se baseia no cenário global de produção de plásticos, que supera 400 milhões de toneladas anuais, das quais apenas 18% são recicladas. O restante do volume é enterrado, incinerado ou disperso no meio ambiente.

Em ambiente de laboratório, o sistema manteve a operação contínua por mais de 260 horas sem perda de desempenho. Embora a viabilidade química tenha sido comprovada, a transição para a escala industrial depende agora de avanços na engenharia. O desafio reside na construção de reatores que suportem ambientes corrosivos de forma contínua, utilizando materiais duráveis e com custos acessíveis para que a produção de hidrogênio limpo se torne escalável.

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