Rede Sismográfica Brasileira registra tremores de terra no Tocantins e no litoral do Rio de Janeiro
A Rede Sismográfica Brasileira registrou, na madrugada desta quinta-feira (21), tremores de magnitude 2,8 em Gurupi (TO) e 3,3 no mar, próximo a Maricá (RJ). Não houve relatos de pessoas que sentiram as vibrações

A Rede Sismográfica Brasileira registrou dois tremores de terra em regiões distintas do país na madrugada desta quinta-feira (21). O primeiro evento ocorreu às 0h42, em Gurupi, no sul do Tocantins, com magnitude 2,8. Posteriormente, às 5h31, foi detectado um abalo de magnitude 3,3 no mar, a aproximadamente 100 quilômetros da costa de Maricá, no Rio de Janeiro. Não houve relatos de moradores que tenham sentido as vibrações.
Apesar da proximidade temporal, os eventos não possuem relação entre si. O tremor no litoral fluminense foi classificado como raso, com profundidade estimada entre 0 e 10 quilômetros, situando-se em uma área de intensa atividade sísmica submarina. A margem sudeste do Brasil é monitorada com rigor devido à recorrência de pequenos abalos no leito oceânico, causados pela acomodação de estruturas geológicas internas da crosta.
Já o registro em Gurupi, cidade de 87 mil habitantes localizada entre os rios Araguaia e Tocantins, marca o primeiro evento sísmico do estado em 2026. No ano anterior, o Tocantins contabilizou apenas dois tremores: um de magnitude 2,7 em Dianópolis, em maio, e outro de 2,5 em Formoso do Araguaia, em julho. A atividade na região é atribuída a ajustes de tensão em rochas de estruturas geológicas antigas, sem vínculo com vulcanismo ou zonas de subducção.
Diferente de terremotos devastadores que ocorrem nos limites de placas tectônicas, como no Japão ou Chile, os abalos no Brasil acontecem no interior da placa Sul-Americana. O sismólogo Gilberto Leite, do Observatório Nacional, explica que a crosta continental brasileira possui fraturas e descontinuidades formadas há centenas de milhões de anos. Quando a tensão acumulada nessas falhas geológicas antigas atinge um ponto crítico, a rocha se rompe e libera energia em ondas sísmicas, que geralmente são de baixa magnitude e imperceptíveis para a população. O registro mais expressivo no país ocorreu em janeiro de 2024, com magnitude 6,6, abrangendo o Acre e o Amazonas, sem causar danos.
O monitoramento desses eventos é realizado por quase 100 estações da Rede Sismográfica Brasileira, coordenada pelo Observatório Nacional, vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, com apoio do Serviço Geológico do Brasil. Os dados são transmitidos em tempo real ao Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP), onde são analisados a localização, a profundidade e a magnitude. Os tremores desta madrugada foram detectados e processados em poucos minutos, contribuindo para o mapeamento da sismicidade e a compreensão da distribuição de tensões na crosta continental e nas margens oceânicas do território nacional.